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bits, bytes e bravata!

Conheça Foleo, amigo do Treo

No final da semana passada, foi ao ar meu primeiro teste comparativo para o programa Olhar Digital. O tema escolhido foi SmartPhones e tive a oportunidade de ver como anda esse eclético mundo de dispositivos móveis cada vez menores, mais versáteis e, por que não dizer, realmente mais úteis.

Uma das coisas que mais me interessa nesses produtos é a chamada interface com o usuário. E o grande desafio dos fabricantes sempre foi de oferecer a melhor combinação de tela grande, teclado confortável (para navegar e escrever mensagens). Também seria legal que ele entrasse em qualquer bolso sem fazer volume, e que não fosse complicado de usar ao ponto de você precisar da ajuda dos seus amigos Nerds para descobrir onde ficam seus dados pessoais.

No mundo automobilístico, seria algo como desejarmos uma picape 4×4 para cinco pessoas e uma tonelada de carga — capaz de subir paredes (ou melhor, passar por elas), como um Hummer —, que seja estável nas curvas e veloz como um carro esporte, que faça mais de 15 km por litro de gasolina na cidade (com o ar ligado, já que ninguém é de ferro) e que seja fácil de manobrar, entrando em qualquer vaga de estacionamento.

Sob esse ponto de vista, os SmartPhones não evoluíram muito, já que as limitações estão mais no campo físico do que no tecnológico propriamente dito.

Apesar disso, uma idéia genial foi mostrada numa matéria publicada na PC Magazine Brasil de hoje (31/05), que descreve um novo produto da Palm batizado de Foleo. Uma espécie de subnotebook baseado em Linux que funciona como uma extensão do SmartPhone da empresa — o Treo —, mas que pode ser facilmente adaptado para outras plataformas.

Na minha opinião, a grande sacada do Foleo é a maneira como ele interage com o Treo. Basta aproximar o portátil do SmartPhone, para que se estabeleça uma conexão via bluetooth entre os dois dispositivos, de modo que todas as informações do Treo ficam disponíveis para o Foleo.

Desse modo fica fácil, por exemplo, ler e responder e-mails, assim como editar e modificar arquivos de Office com a mesma facilidade que fazemos num note convencional, com todas as comodidades de mobilidade e de transporte de dados do Treo.

O que mais me fascinou nesse produto é que o Foleo materializa, na forma de um produto real, uma idéia que já rodava o mercado há anos como um conceito. Ou seja, o SmartPhone como uma central de informações pessoais, capaz de interagir com outros dispositivos por meio de conexões sem fio.

A primeira vez que ouvi falar nisso foi em 1998, quando conheci Phil Hester — na época chefe de pesquisa da IBM, um dos pais do PowerPC e atual CTO da AMD —, que me mostrou numa entrevista no Brasil, a primeira versão do wearable computer. O equipamento — um PC na forma de um cartucho multifunção — poderia ser instalado num slot de um gabinete de notebook, para funcionar como um ThinkPad, ou num painel de carro para funcionar como um computador de bordo.

A idéia por trás desse conceito, era a de que os dados e sua capacidade de processamento pudessem ser transportados de um lado para outro ou de dispositivo para dispositivo.

Depois disso, esse conceito evoluiu para o Metapad, que nunca virou um produto comercial.

By the way, pesquisando sobre o Metapad, descobri no site da IBM Research, conceitos ainda mais avançados: o Personal Mobile Hub e o SoulPad.

31 Maio, 2007 Escrito por mnagano | IBM, Notícia, Novas idéias, Palm, Tecnologia | | Não Há Comentários

Santa Rosa movimenta fabricantes locais

Com lançamento oficial programado para junho de 2007, começamos a ver as primeiras movimentações no Brasil para a chegada do Santa Rosa — a segunda geração do Centrino Duo e a primeira realmente preparada para rodar as versões mais avançadas do Windows Vista —, incluindo o Ultimate Edition.

No meio do ano passado, a atual plataforma móvel Centrino Duo (codinome Napa) foi parcialmente atualizada com a troca do processador Core Duo original (Yonah) pelo Meron (Core 2 Duo), o primeiro chip móvel da Intel compatível com 64 bits.

Entre os big players locais, a primeira a anunciar um Santa Rosa foi a Dell, que oficializou ontem (30/05) a chegada dos novos modelos Latitude D830 e D630, algo que já ouvimos falar na época da inauguração da nova fábrica da Dell em Hortolândia.

Segundo o press release da empresa, os novos Latitude oferecem uma melhor autonomia (15% a mais que a geração anterior), auxiliado pelos novos recursos do Energy Star 4.0.

O legal é que a Dell irá oferecer novidades realmente interessantes, como uma tela LCD 38% mais eficiente, conectividade Wi-Fi 802.11n, disco rígido que criptografa os dados em tempo real, uma versão opcional de estado sólido (SSD) (apenas no D830) e uma terceira versão híbrida com memória flash.

Fora isso, a empresa também oferecerá o cartão de cache Intel Turbo Memory, que tira proveito dos novos recursos do Vista para acelerar algumas funções do portátil, como inicialização do sistema (boot) e volta do estado de dormência.

Com relação aos preços, a versão inicial do D830 de alto desempenho começa em torno de 7 mil reais, com tela XGA wide de 15,4”. Já o D630 com de 14,1″ wide sai em torno de 4,7 mil reais.

Outra empresa que começa a se mexer para a chegada do Santa Rosa é a Lenovo, que já anunciou lá fora o novo ThinkPad T61 que a empresa definiu como o “The strongest, coolest, and quietest ThinkPad ever”

Fato é que a Lenovo no Brasil está queimando vários X60, T60 e R60 (todos com Core Duo), na sua seção de saldos na Web, a preços muito camaradas. Este pode ser um sinal de que a empresa está abrindo espaço em seus depósitos para os modelos com final 61.

Meus palpites sobre outras empresas que já podem estar negociando/avaliando/montando na surdina seus Santa Rosa, são a Semp Toshiba, a Megaware, a Kennex e a Positivo. Mas só saberemos com certeza na época da Semana de Mobilidade Intel programada para a segunda quinzena deste mês.

FYI (For Your Information):

Seguindo a tradição da Intel de usar nomes “públicos”, como cidades, lagos, rios, etc. em seus nomes código, apesar da referência religiosa, acredito que Santa Rosa tenha mais a ver com o nome de uma cidade na Califórnia. Por sinal, existe uma também no Brasil, localizada no Rio Grande do Sul.

A personalidade mais ilustre nascida em Santa Rosa (RS) é Maria da Graça Meneghel, mais conhecida como Xuxa. A cidade mantém um museu em sua homenagem.

31 Maio, 2007 Escrito por mnagano | Hardware, Intel, Notícia | | Não Há Comentários

Seu firewall é realmente seguro?

O site Security Hacks, publicou uma interessante matéria que mostra como o usuário pode testar a eficiência de seu firewall, utilizando uma seleção de programas disponíveis na Web.

Trata-se de oito programas que abordam diferentes vulnerabilidades, e que podem ser executados tanto por usuários domésticos quanto por expertos em computador.

O legal desse artigo é que ele procura explicar como cada programa funciona e como interpretar seus resultados.

Veja a matéria na integra aqui.

30 Maio, 2007 Escrito por mnagano | Dicas, Downloads | | Não Há Comentários

Chihiro na Cultura

Acabei de ver isso no site da TV Cultura:

Abre aspas:

A Mostra Internacional de Cinema na Cultura, apresentada pelo crítico Leon Cakoff, exibe o filme A viagem de Chihiro (Japão/2001), de Hayao Myazaki. Como num conto de fadas, o desenho traz a história de Chiriro, uma garota que (…) se vê em um mundo repleto de espíritos e deuses. Ela tem a sorte de encontrar Haku, um misterioso jovem que resolve ajudá-la. O filme ganhou o Oscar de Melhor Animação e o Urso de Ouro do Festival de Berlim.

Sexta, dia 1º, às 22h40.

Fecha aspas.

Pelo que vi na chamada da TV, será apresentada a versão original em japonês com legendas.

Se John Lasseter, animador da Disney e atual CCO (Chief Creative Officer) da Pixar disse que o filme é bom e considera Myazaki seu mestre, acho que vale a pena dar uma olhada, principalmente se você não teve a oportunidade de ver no cinema ou em DVD.

Lasseter é um feroz defensor da idéia de que a “história manda”, ou seja, que nenhum filme, por mais deslumbrante que seja, não se sustenta se não tiver uma boa história.

Joel Schumacher e seu Batman & Robin que o diga!!!

30 Maio, 2007 Escrito por mnagano | Dicas, Genshiken | | 2 Comentários

Lavadora de roupa com MP3

Depois da geladeira com Internet, a LG entrou com um pedido de patente nos EUA de uma lavadora de roupa capaz de tocar músicas em MP3.

Segundo o pedido # 20070118862 de 24 de maio de 2007, o produto é descrito como um eletrodoméstico com player MP3 que, além de reproduzir conteúdo digital, seria capaz de lavar ou secar roupas.

Pelo que pude entender da proposta, a idéia por trás desse invento seria a de atender ao desejo das pessoas por produtos que tenham mais de uma funcionalidade, como as impressoras multifuncionais ou mesmo os sistemas de som 3-em-1 (atuais microsystems).

Logo, a proposta afirma que o mercado de lavadoras que apenas lavam roupas está saturado, de modo que, seguindo esse raciocínio, haveria um potencial de mercado para uma lavadora que pudesse fazer mais alguma coisa, como por exemplo, tocar músicas.

Se a intenção é entreter a dona de casa e/ou empregada, enquanto ela espera terminar o terceiro ciclo de enxágüe, por que não uma lavadora com rádio AM/FM ou TV embutida?

Melhor ainda: por que não uma lavadora de uso público com uma grande tela que passe algum videoclipe/propaganda institucional (obviamente patrocinada por quem está pagando pela água e a luz da engenhoca) , que o usuário tenha de aguent(err…), quero dizer, assistir enquanto espera a roupa ficar limpa?

Não se esqueçam, vocês leram primeiro aqui! :^)

30 Maio, 2007 Escrito por mnagano | Notícia, Novas idéias | | Não Há Comentários

Downloads do dia (29/05/07)

UDPixel 2.2 (freeware) — programa que localiza pixels defeituosos (pontos sempre ligados ou desligados) no LCD. Inclui uma curiosa rotina que tenta consertar pixels sempre ligados por meio de rápidas mudanças no seu estado, o que pode levar horas. O autor não garante que isso resolva o problema, mas como o usuário não tem nada a perder, por que não tentar? :^)

Core Temp 0.95 (freeware) — simples monitor de temperatura do processador. Funciona com chips Core Duo, Core 2 Duo e Athlon 64 X2 .

AM-DeadLink 3.1 (freeware) — utilitário varre a lista de bookmarks do navegador Web, identificando links inválidos e/ou duplicados e permitindo que eles sejam apagados. Compatível com Internet Explorer, Firefox e Opera.

Songbird 0.2.5 (freeware) — baseado no navegador Mozilla, o Songbird é um aplicativo de código aberto descrito como uma mistura de desktop Web player, digital jukebox e Web browser mash-up. O sistema pode ser uma alternativa ao iTunes e aceita diversos plug-ins disponíveis para download.

ClamWin 0.90.2.1 (freeware) — antivírus de código aberto com atualização automática de listas, agenda de verificação e removedor automático para Outlook. Atenção: ele não oferece identificação em tempo real, de modo que é necessário varrer o disco para localizar novos vírus.

MediaPortal 0.2.2.0 (freeware) — aplicação de código aberto que transforma seu PC + TV em um avançado Media Center capaz de reproduzir rádio, músicas, vídeos e DVDs, programar e gravar programas de TV, etc. Assim como o Songbird, o MediaPortal aceita plug-ins diversos, o que torna o sistema ainda mais flexível.

29 Maio, 2007 Escrito por mnagano | Dicas, Downloads | | 2 Comentários

Positivo lança impressora

A Positivo Informática acabou de divulgar que entrou no mercado de impressoras, com o lançamento da Multifuncional A1017 que, como o próprio nome sugere, incorpora as funções de impressão a jato de tinta com scanner e copiadora no mesmo equipamento.

mf_positivo.jpgSegundo sua assessoria de imprensa, a A1017 utiliza a tecnologia Olivetti e se parece muito com o modelo Simple_Way All in One Printer vendido na Inglaterra, com a diferença que o gabinete da versão nacional é apresentado na cor preta.

E como todo bom produto de origem italiana, o desenho do seu gabinete é assinado pela dupla James Irvine e Alberto Meda.

O produto é voltado para atender ao usuário doméstico e a ambientes de negócios com necessidades moderadas de impressão, imprimindo até 20 páginas por minuto (ppm) em preto, 18 ppm em cores com resolução de até 4.800 x 1.200 ppp (pontos por polegadas) otimizados.

Seu scanner, com resolução óptica de 600 x 1.200 ppp, faz cópias sem a intervenção do PC com resolução de até 1.200 x 1.200 ppp, reduções em até 25% e ampliações de até 400%.

A impressão de fotos é facilitada graças à presença da porta PictBridge, que permite a impressão de fotos diretamente de uma câmera digital compatível com essa tecnologia.

Assim como as multifuncionais da Epson e da HP, a A1017 tem a função chamada Photo Index, que imprime uma espécie de folha de índice, na qual o usuário pode marcar as fotos que deseja imprimir, a quantidade e o tamanho. Em seguida, basta colocar a página com as anotações no scanner para que o equipamento identifique as imagens e imprima apenas as fotos selecionadas.

Inicialmente, a empresa irá colocar no mercado os cartuchos preto (PM 051) e em cores (PM 053) de capacidade normal e o preto de alto rendimento (PM 052) com preços a partir de 69 reais. Posteriormente, a empresa pretende comercializar o cartucho fotográfico de capacidade normal (PM 055) e alta (PM 056), além de uma versão em cores de alto rendimento (PM 056).

O preço sugerido do Positivo Multifuncional A1017 é de 349 reais.

28 Maio, 2007 Escrito por mnagano | Hardware, Notícia, impressoras | | 77 Comentários

Ópera geek

Uma ópera baseada no trabalho de Alan Turning será apresentada pela primeira vez no Edinburgh Festival Fringe, que acontece entre os dias 15 e 19 de agosto de 2007, no Edinburgh Studio Opera.

turingtest.jpgA obra se chama The Turning Test — an opera e foi composta por Julian Wagstaff, que descreve sua peça musical como uma história de inveja, cobiça, traição e rivalidade acadêmica ambientada no mundo da inteligência artificial.

O chamado teste de Turning foi proposto pelo matemático inglês Alan Turning num artigo de 1950, no qual sugeria colocar uma pessoa isolada na frente de um terminal para bater um papo remotamente “via chat” (como se diria hoje) com outra entidade, sem saber se ela é um ser humano ou uma máquina.

A máquina poderia ser considerada inteligente, se a pessoa não fosse capaz de notar a diferença entre ela e um ser humano.

Wagstaff diz ter sido inspirado numa exposição sobre Turning em 2006, onde observou todos os elementos clássicos que poderiam ser usados numa ópera.

Mais detalhes aqui.

28 Maio, 2007 Escrito por mnagano | Genshiken, Notícia, Papo cabeça | | Não Há Comentários

Empresas adiam TV SED

A Canon e a Toshiba anunciaram na última sexta (25/05) que irão adiar o lançamento da nova geração de TVs do tipo SED (Surface-conduction Electron-emitter Display), originalmente previsto para julho desse ano, sendo que nenhuma nova data foi divulgada.

A intenção era que os primeiros aparelhos chegassem ao mercado japonês em 2007, entrando em produção em massa a tempo de atender à demanda gerada pelas Olimpíadas de 2008 em Beijing — algo parecido com o que acontece no Brasil, na época da Copa do Mundo.

O motivo estaria num longo processo judicial em andamento com a empresa Nano-proprietary Inc., nos EUA. Fora isso, o planejamento da produção em massa das telas SED deve ser refeito devido à acentuada queda de preço dos modelos de Plasma e de LCD.

Em desenvolvimento há quase 20 anos, a tecnologia SED funciona mais ou menos como uma TV CRT convencional. Mas, ao invés do volumoso tubo de imagem, cuja profundidade é diretamente proporcional ao tamanho da tela (quanto maior mais profundo), o SED utiliza minúsculos emissores de elétrons para “acender” cada ponto de imagem à base de fósforo (como nas TVs atuais), resultando assim numa tela plana e fina.

O resultado final seria o melhor de dois mundos, ou seja, uma tela tão grande e fina quanto um LCD ou plasma com a mesma qualidade de imagem de uma TV de tubo, que os puristas ainda consideram superior. Fora isso, a Canon afirma que o SED ainda consome menos energia que o LCD.

Uma curiosidade do processo de fabricação do SED é que o mesmo utiliza a técnica de impressão a jato de tinta para depositar a camada de fósforo sobre a superfície de imagem, tecnologia por sinal inventada — meio por acaso — pela Canon e popularizada no mundo pela HP.

Saiba mais sobre o SED aqui e veja uma comparação com outras tecnologias de imagem aqui.

28 Maio, 2007 Escrito por mnagano | Notícia, Tecnologia | | Não Há Comentários

Hoya-Pentax: uma união complicada

A revolução da fotografia digital pode fazer mais uma vítima nos próximos meses.

Depois de empresas, como a Minolta, que vendeu sua divisão de câmeras para a Sony, ou a Fuji Film, que começa a investir em novos negócios (como produtos de health care e até cosméticos), pode ter chegado o momento da verdade para a Pentax, que passa por uma crise que ameaça sua própria identidade.

Os primeiros sinais de fumaça apareceram no final do ano passado, época em que foi anunciado que a Hoya — empresa líder na fabricação de vidros ópticos — iria absorver a Pentax, formando-se assim a Hoya Pentax HD Corp., cujo processo de integração estaria completo até outubro de 2007.

Os problemas começaram em abril desse ano, quando a Hoya deixou a entender que, depois da fusão, poderia vender a divisão de câmeras — já que seu interesse estava sobre os instrumentos ópticos de uso médico da Pentax. Isso armou um verdadeiro barraco entre os executivos da Pentax, que promoveram um golpe de estado, botando pra fora seu presidente Fumio Urano — principal defensor da fusão — e melando assim o processo.

Mas no final das contas, pressionada pelo mau humor dos acionistas, a Pentax acabou aceitando uma nova proposta mais amigável feita pela Hoya, o que pode mudar em muito a cultura corporativa da empresa.

Segundo declarações do diretor Shinichiro Mitsuhashi, para o Japan Times nessa semana, o estilo gerencial da Pentax é bastante provinciano se comparado com o da Hoya, que adota um modelo mais racional que prioriza o lucro acima de tudo.

Fundada em 1919 como Asahi Optical Joint Stock Co., a Pentax começou como uma pequena empresa familiar que produzia lentes para óculos. Depois de destruída durante os bombardeios da Segunda Guerra Mundial, a empresa ressurge das cinzas como Asahi Optical Company, produzindo binóculos e telescópios de alta qualidade.

Mas, ao contrário de seus concorrentes que se limitavam a copiar ou “melhorar” o desenho de câmeras alemãs (mais sobre isso em outro post), a Asahi optou por desenvolver uma câmera de desenho próprio, usando como referência uma velha Reflex-Korelle que o dono da empresa, Saburo Matsumoto, comprou antes da guerra.

O resultado foi o desenvolvimento, em 1952, da primeira câmera reflex de uma só objetiva (SLR) feita no Japão. Dois anos após, a empresa apresentou para o mundo a Asahiflex IIB, a primeira SLR com sistema de retorno automático do espelho — uma revolução tecnológica que tornou a câmera SLR um produto realmente prático e viável.

Para quem não sabe, a grande sacada das câmeras SLR é um pequeno espelho móvel localizado no seu interior entre a objetiva e a cortina do disparador. Ela capta a luz vinda da lente e a desvia “para cima” — em direção do visor da máquina —, onde o fotógrafo pode verificar com precisão tanto o foco quanto o enquadramento da cena. Ao pressionar o disparador, o espelho sobe para uma posição rente ao teto da câmara do filme, permitindo a exposição do filme.

O grande revés desse sistema antes da Asahiflex IIB, era o de que, até rearmar a câmera, o espelho permanecia levantado, bloqueando assim seu visor, deixando o fotógrafo literalmente “cego” (efeito conhecido como blackout). Isso fazia com que os fotógrafos de ação e fotojornalistas preferissem as câmeras de visor direto (como as Leicas) ou mesmo as TLRs (como as Rolleiflex) para realizar seus trabalhos.

O bizarro é que os fabricantes vendiam essa limitação como vantagem, já que ela impedia que um fotógrafo tentasse tirar uma foto sem rearmar a câmera. Isso pode ter até atrasado a solução desse problema, uma vez que as grandes SLR da época (como as Zeiss Ikon Contarex e Contaflex, Voigtländer Bessamatic e as Ihagee Exakta Varex — por sinal todas alemãs) demoraram muito para adotar tal solução, contribuindo assim para a sua decadência e posterior colapso perante a inovadora indústria fotográfica japonesa.

Curiosamente, nos anos 1970 a Pentax firmou um acordo tecnológico com a Carl Zeiss alemã, cujo negócio rendeu mais frutos para os japoneses que para os alemães que fugiram logo dessa associação, arrumando uma parceria muito mais interessante depois de alguns anos com a Kyocera/Yashica, que reintroduziram com muito sucesso, a marca Contax no mercado.

Foi nessa época em que a Pentax introduziu sua baioneta Pentax-K (baseada num desenho original da Zeiss) e o sistema de multi-coating de lentes, conhecida como Takumar SMC (Super Multi Coating).

Durante as últimas décadas, a Pentax emplacou outros sucessos, como a linha Spotmatic (com engate de lente com rosca), os modelos KM , ME, MX e LX e o legendário modelo K-1000 — considerado o fusca das SLR por causa do seu desenho simples e robusto e preço bastante acessível. Por essas e outras, aqui no Brasil a K-1000 era a preferida nos cursos de fotografia e a primeira SLR de muitos amadores (incluindo este que lhes escreve).

Curiosamente, 2007 marca o cinqüentenário do lançamento da primeira câmera SLR da Asahi com pentaprisma fixo, cujo desenho influenciaria o desenho de praticamente todas as SLRs durante as próximas décadas : a Pentax original.

Hoje, a Pentax ainda produz câmeras digitais muito boas, como a linha Optio e as SLR *ist, cujo corpo também é usado (em regime de OEM) pela Samsung. Entretanto, ela não é mais páreo para concorrentes, como Nikon e Canon que dominam quase 80% do mercado mundial de SLR digitais.

Ryosuke Katsura, analista sênior da Mizuho Securities Co., disse para o Japan Times, que os funcionários da Pentax se parecem mais com artesãos do que com executivos preocupados com lucro.

Seria uma pena que uma empresa de tradição como a Pentax acabe apenas como uma nota de rodapé na história, ou mesmo como uma marca de aluguel como a Voigtländer, que hoje empresta seu prestígio para as novas rangefinders e lentes da Cosina, empresa que sempre teve boas idéias, forneceu produtos em OEM para meio mundo como a Rollei, Vivitar, Olympus e até a Nikon, mas que nunca conseguiu impor sua própria marca como uma força do mercado.

Um bom exemplo é a cultuada Epson R-D1 Digital Rangefinder Camera, cujo corpo foi projetado e produzido pela Cosina.

Para saber mais sobre as origens da Pentax e da Asahiflex, clique aqui.

Atualização de última hora (28/05):

Foi divulgado nesse final de semana, que toda a diretoria da Pentax Corp irá se demitir no próximo mês de junho, acompanhando a decisão do atual presidente Takashi Watanuki, que assumiu a responsabilidade pela confusão causada pela a proposta de absorvição pela Hoya.

Watanuki assumiu o cargo de presidente, depois que a diretoria forçou a saída de Fumio Urano, que arquitetou o acordo original.

25 Maio, 2007 Escrito por mnagano | Fotografia, Notícia | | 2 Comentários