O bom mangá à casa volta
Estreou ontem (11/05) pelo relógio daqui e, tecnicamente, “hoje” (sábado) no Japão a nova versão live-action de Maison Ikkoku (literalmente, casa do “um” momento). Seu enredo é baseado no mangá (história em quadrinhos japonês) homônimo, escrito e ilustrado por Rumiko Takahashi, mais conhecida por aqui por outros títulos, como Ranma 1/2 e Inu-Yasha (ainda publicado no Brasil).
Maison Ikkoku é o nome de uma velha casa de apartamentos de aluguel em Tóquio onde convivem tipos excêntricos e amigáveis, unidos pelo eterno prazer de se reunirem em festinhas intermináveis para encher a cara e, nas horas vagas, azucrinarem a vida de Yusaku Godai (de branco no centro na imagem), um Ronin (estudante que não entrou na faculdade de primeira e terá de esperar pelo vestibular do próximo ano).
Nessa verdadeira “casa da sogra” surge uma nova administradora residente, a jovem e bela Kyoko Otonashi (à direita de avental), pela qual Godai se apaixona imediatamente, mas tal sentimento não é (aparentemente) correspondido, já que Kyoko ainda lamenta a perda de seu marido recentemente falecido.
Some-se a isso sentimentos reprimidos, mensagens mal entendidas, triângulos amorosos, rivais galanteadores, namoradas acidentais, parentes incômodos, intrometidos em geral e todo tipo de acontecimentos totalmente fora do controle e temos uma das narrativas mais interessantes sobre os altos e baixos da arte de amar de uma pessoa.
Muitos consideram Maison Ikkoku a obra-prima de Takahashi, já que ela mostra todo o seu talento como contadora de histórias, construindo uma narrativa simples e de fácil digestão, capaz de prender o interesse do leitor por anos a fio sem apelar para elementos sobrenaturais, como fontes amaldiçoadas (Ranma), seres do espaço (Urusei Yatsura) ou monstros do Japão feudal (Inu-Yasha). Ao contrário destes, Maison Ikkoku foi uma série voltada para um público mais maduro que, curiosamente, não explorava levianamente temas mais “adultos”, se é que vocês me entendem (wink! wink!).
Outra característica interessante, é que a história se desenrolou mais ou menos em tempo real por quase sete anos (de novembro de 1980 à abril de 1987) de modo que tanto o passar das estações no Japão quanto os eventos do calendário, batiam mais ou menos com os episódios da semana em que foram originalmente publicados.
Sob o ponto de vista histórico, Maison Ikkoku é um bom retrato dos hábitos e costumes do japonês de classe média dos anos 1980, tempos felizes e cheios de certezas antes do estouro da bolha econômica, da demonização do tabaco, da chegada dos estrangeiros no mercado de trabalho e dos telefones celulares.
Como outros trabalhos da autora, essa história virou anime (desenho animado) em 1986 (96 episódios), mesmo ano em que foi lançado o pavoroso filme live-action no qual os atores e as locações nem lembram muito o anime ou o mangá, uma verdadeira jóia do gênero “filme oportunista e de baixo orçamento”.
Felizmente, os produtores da TV Asashi parecem não ter cometido o mesmo erro, fazendo uma escolha mais cuidadosa dos atores, e o resultado — na minha opinião — foi bastante satisfatório, sendo que alguns deles não são desconhecidos pela comunidade de fãs de anime.
Um bom exemplo é Misaki Ito, que faz o papel de Kyoko Otonashi e que também fez o papel de Saori Aoyama (a.k.a. Hermes), a musa de Tsuyoshi Yamada da série Densha Otoko.
Outros atores que parecem ter nascido para seus respectivos papéis são Ikki Sawamura, como o galante Shun Mitaka, Nana Eikura, como a irritantemente doce e difícil de ser dispensada Kozue Nanao e o cachorro que faz o papel de Soichiro-san. Ittoku Kishibe faz um Yotsuya mais velho que no mangá, o que se encaixa até melhor no perfil de um personagem misterioso e meio velhaco.
Mais detalhes sobre o mangá e o anime podem ser encontrados aqui.
No site oficial, pode ser encontrados mais detalhes sobre o elenco, algum merchandise e até um pequeno teaser. O mangá também está sendo relançado no Japão em um novo formato chamado Shinsoban, que parece ser um Bunkoban com capa nova.
O mangá em inglês foi reeditado e concluído pela Viz Media assim como o anime em DVD. Ambos podem ser encontrados no Amazon.com.
No Brasil, a loja Animanga chegou a ter quase toda a coleção original (Tankouban) em japonês, alguns episódios do anime em VHS e até alguns volumes da série original da Viz (em inglês), mas eles não constam do catálogo on-line. Mais fácil ligar para a loja que agora só vende pelo correio.
Trivia:
Rumiko Takahashi é famosa pela sua capacidade de bolar nomes criativos, cheios de trocadilhos e interpretações secundárias. No caso de Maison Ikkoku, o nome dos personagens principais estão relacionados com números, o que é mais fácil de ser percebido na versão em japonês por causa da escrita — algo como ver “Humberto” escrito como “1-berto”.
Uma descrição detalhada dos nomes e todos os seus possíveis significados podem ser encontrados aqui.
A exceção ficaria por conta de Kyoko, apesar de alguns afirmarem que como a palavra Otonashi significa “quieto” ou “sem som”, logo “sem” = “nada” = “zero”.
Outros dizem que esse sobrenome tem o mesmo som de “Otto Nashi“, que poderia ser traduzido como “sem marido”. Assim, Kyoko Otonashi poderia ser lido como “Kyoko Sem Marido“, o que não deixa de ser verdade nesse caso.
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(rev.ok)
Vote 3m quem mesmo?
No início dessa semana (07/05) escrevi um post falando sobre uma propaganda eleitoral abandonada num muro que, por anos, ofendeu minha inteligência.
Passei por lá ontem (11/05), e qual foi minha surpresa ao ver que o muro foi pintado!
Quem diria que até um blog de tecnologia meia-sola como o meu teria seu dia de repórter cidadão.
Wai-wai! ;^)