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bits, bytes e bravata!

Filmão de meia idade

Meu colega Rafael Rigues me passou a informação de que o próximo dia 25 de maio marca o 30º aniversário do lançamento do filme Guerra nas Estrelas (Star Wars) nos cinemas.

Considerada a última “guerra bacana” do século 20, o filme entrou em cartaz dois meses após a chegada do Apple II ao mercado, sendo que ambos — cada um a seu modo — detonaram uma verdadeira revolução cultural que varreu o planeta, a ponto de serem considerados hoje quase que uma religião entre seus fãs mais fervorosos.

Como todo fã de Guerra nas Estrelas já sabe (ou deveria saber), o sucesso desse filme não foi apenas por causa dos seus efeitos especiais, e sim graças à sua história, que tocou fundo no inconsciente das pessoas. O próprio Lucas não cansa de dizer em entrevistas que sua história foi fortemente influenciada pelas idéias do professor Joseph Campbell, sobre o Mito do Herói.

Segundo o que diz Bill Moyers, criador do documentário “O Poder do Mito” (disponível em DVD no Brasil) em um dos episódios da série, para ele, Guerra nas Estrelas nada mais é que uma velha história contada de uma maneira nova. Um verdadeiro mito contemporâneo no sentido mais divino da palavra.

O mito do herói foi descrito pela primeira vez em 1949 no livro “O Herói de Mil Faces” e também publicado no Brasil pela editora Cultrix/Pensamento. Para o autor, o mito do Herói é um tema universal e recorrente em várias culturas espalhadas pelo mundo e em vários períodos históricos.

A grande sacada desse livro foi a de analisar, decompor e classificar os principais elementos desse tipo de história nos seguintes temas básicos:

1 – A partida, divida em:

1.1 – O chamado da aventura
1.2 – A recusa do chamado
1.3 – O auxílio sobrenatural
1.4 – A passagem pelo primeiro limiar
1.5 – O ventre da baleia

2 – A iniciação, divida em:

2.1 – O caminho das provas
2.2 – O encontro com a deusa
2.3 – A mulher como tentação
2.4 – A sintonia com o pai
2.5 – A apoteose
2.6 – A benção última

3 – O retorno, divido em:

3.1 – A recusa do retorno
3.2 – A fuga mágica
3.3 – O resgate com o auxílio mágico
3.4 – A passagem pelo limiar do retorno
3.5 – O senhor dos dois mundos
3.6 – Liberdade para viver

Aqueles que conhecem a trilogia original de trás pra frente podem perceber trechos do filme nessa lista.

Por exemplo:

Obi Wan Kenobi (o auxílio sobrenatutal), convida Luke Skywalker (nosso herói) para acompanhá-lo na sua missão de levar os planos da Estrela da Morte para os rebeldes (o chamado da aventura).

Apesar de ser tudo que ele quis na vida — dar o fora de Tatooine —, ele primeiro amarela e não aceita o convite (a recusa do chamado), arrumando uma desculpa esfarrapada de que precisa ajudar o tio na fazenda. Problema resolvido pela guarda imperial, que o liberta das responsabilidades mundanas, liberando-o para a grande jornada.

Sua chegada à Mos Eisley e a entrada na cantina, ou talvez seu primeiro contato com a força (treinando com o sabre de luz de olhos vendados), marca sua “passagem pelo primeiro limiar“.

A invasão da Estrela da Morte pode ser interpretada como o início do “caminho das provas” e o primeiro encontro com a princesa Léa, o “encontro com a deusa” e/ou “a mulher como tentação“.

A descida até as “entranhas” da Estrela da Morte — ou mais exatamente o triturador de lixo — pode ser considerada o “ventre da baleia” (referência bíblica à história de Jó e a baleia).

A batalha de Yavin que terminou com a destruição da Estrela da Morte, marca o fim do “caminho das provas“, com uma verdadeira”apoteose“, e a condecoração no final do filme, a “benção última“.

Com isso, Lucas foi capaz de criar uma história atraente para quase qualquer público, mesmo para aqueles que não curtem ficção científica. O curioso é que já ouvi muitos muitos dizerem que não gostaram tanto das seqüências como do primeiro filme, em especial da segunda trilogia, infinitamente mais impressionante em termos visuais.

De qualquer modo, nossos parabéns para George Lucas!

Apesar de querer apenas fazer um filme de sucesso, tanto ele quanto Steve Jobs conseguiram mudar o mundo — cada um a seu modo. :^)

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20 maio, 2007 - Posted by | Genshiken, Opinião, Papo cabeça

1 Comentário »

  1. […] mágica do mito em Guerra nas Estrelas Quando fiz meu comentário sobre os 30 anos de Star Wars, citei o livro de Joseph Campbell — O Herói de Mil Faces —, que ainda pode ser encontrado nas […]

    Pingback por A mágica do mito em Guerra nas Estrelas « mnagano.com | 29 junho, 2007 | Resposta


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