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bits, bytes e bravata!

O Itanium vai bem, obrigado

Num post recente publicado no blog de tecnologia da Intel, Pat Gelsinger — VP de plataformas corporativas — fala um pouco sobre como anda a plataforma Itanium, um produto que nos últimos anos passou por várias tormentas, mas que aparentemente hoje navega em ritmo tranqüilo sobre águas mais calmas.

Gelsinger, que assumiu o novo cargo em 2005 e recebeu de quebra o Itanium, reconheceu que o produto não andava bem e que a credibilidade da empresa estava meio abalada pela inabilidade de entregar um produto vencedor ao mercado. Com isso, a primeira medida foi a de absorver a equipe de desenvolvimento do Itanium da HP — que passou para a Intel, formando assim um único grupo que trabalharia com os mesmos métodos e ferramentas.

Ao mesmo tempo, no final de 2005, a Intel lançou o Itanium Solutions Alliance para organizar os interesses de seus parceiros estratégicos no segmento de hardware, software e serviços. Em 2006, a empresa finalmente colocou no mercado o Itanium 2 série 9000 — codinome Montecito —, o primeiro chip dual core a ser anunciado pela empresa, anos antes desse conceito virar moda.

Numa conversa que tive com Gelsinger durante o IDF Spring de 2006, tive a oportunidade de perguntar por que o Montecito demorou tanto para sair. Ele explicou que a primeira versão a sair da fábrica não ficou dentro das expectativas, de modo que o produto passou por ajustes, o que atrasou um pouco o seu lançamento.

O esforço parece ter valido a pena, já que o negócio do Itanium mais que dobrou entre 2H05 e 2H06, batendo mais de US$ 1 bilhão em faturamento no último quadrimestre de 2006.

Segundo Gelsinger, o sucessor do Montecito — o de codinome Montvale — chegará ao mercado até o final desse ano. Ele será seguido pelo Tukwila, previsto para o final de 2008 e, entre 2010 e 2011, será a vez do Poulson.

Resumindo: o Itanium vai bem, obrigado, e mandou lembranças para todos.

FYI (For Your Information):

Para entender a conturbada carreira do Itanium, é preciso recordar um velho paradigma da empresa, que dizia acreditar mais em “revoluções do que em evoluções” tecnológicas propriamente ditas.

Baseado nessa crença, o Itanium surgiu no final da década de 1990 como a promessa de uma nova era na computação baseada em sistemas de 64 bits. Com isso, a Intel pretendia, com o tempo, abandonar o bom e velho x86 em favor de uma plataforma mais avançada e livre das limitações do passado.

Assim, o Itanium foi projetado a partir do zero, o que exigiu um tremendo esforço no seu desenvolvimento tanto por parte da Intel quanto por parte de seus parceiros de negócios nos segmentos de hardware quanto de software, o que incluía um novo set de instruções que deveria ser usado para escrever um novo sistema operacional.

As coisas começaram a complicar na época em que o primeiro Itanium saía do forno, quando a AMD levantou sua bandeira com a crença na “evolução ao invés da revolução” anúnciando o projeto Hammer (na época, mais papo do que produto) que, anos depois, se tornaria a consagrada linha Opteron/Athlon 64.

A mensagem era simples e atraente: em vez de uma ruptura tecnológica, o pessoal de Sunnyvale propunha uma extensão do set de instruções do x86 para assimilar a tecnologia de 64 bits. Algo como aprender algumas palavras novas em vez de um novo idioma.

Com isso, seria possível uma migração mais tranqüila dos atuais sistemas de 32 bits para o mundo dos 64 bits. Essa perpectiva soou como música para a comunidade de computação corporativa, que é bem mais conservadora na hora de abrir a carteira, ao contrário dos consumidores finais.

Essa idéia assombrou o Itanium por muitos anos, já que, para defender seu produto e dar tempo para o mesmo se consolidar no mercado, a Intel teve até que fazer pouco caso da estratégia de 32-64 bits da AMD, tentando explicar que uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa.

Pior ainda: por anos eles negaram a existência de um projeto alternativo — de codinome Yamhill — que implementaria a extensão de 64 bits no Pentium 4, hoje conhecido como EM64T.

A coisa estourou no IDF Spring de 2004, quando Craig Barret revelou o novo Xeon (codinome Nocona), mostrando sem muito alarde que, entre seus novos recursos, estava o suporte para 64 bits.

Como o Nocona não deixava de ser um Prescott vitaminado, a diferença entre um Xeon para sistemas monoprocessados e um Pentium 4 para desktops seria apenas de nomenclatura.

No final da apresentação, o CEO da Intel se apressou em explicar que o novo Xeon seria um produto mais voltado para empresas de médio e grande porte, enquanto que a capacidade de devorar números do Itanium seria direcionada para o mercado de computação realmente de grande porte — algo que Gelsinger também disse em seu Blog.

Com isso, pode se dizer que a imprensa deixou de pegar no pé do Itanium permitindo que o mesmo seguisse o seu caminho, como um produto mais low profile.

Numa conversa com outro VP da empresa, ele reconheceu que o modo como a empresa tentou negar a existência do EM64T foi um erro. Talvez fosse melhor se na época a Intel tivesse dito que sim, a empresa também estudava a extensão de 64 bits para o Pentium 4.

Garanto que depois de meia hora com a notícia escrita e encaminhada, muitos jornalistas sossegavam e estariam mais interessado em onde ir almoçar.

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17 junho, 2007 - Posted by | Intel

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