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bits, bytes e bravata!

Não existe beleza no negócio de chips

Neste final de semana (29/07), irá ao ar meu terceiro teste comparativo para o programa Olhar Digital, cujo tema foi os computadores com processador quad-core da Intel (codinome Kentsfield). O produto ainda é raro no segmento de volume, mas ele está encontrando o seu espaço como opção de melhor desempenho para o Core 2 Duo (codinome Conroe).

Na época do seu lançamento, lembro-me de ter visto reviews do Kentsfield onde os autores tiravam um sarro do quad-core da Intel por ele adotar uma solução muito parecida com o Pentium D “Smithfield”, que nada mais era que dois núcleos de Pentium 4 montados no mesmo encapsulamento, sendo que toda a troca de informações era realizada externamente pelo chipset.

No caso do Kentsfield, trata-se de dois núcleos Conroe no mesmo encapsulamento.

Na época (meados de 2005), quando comparado com o Athlon 64 x2 — cujos núcleos compartilhavam alguns recursos em comum e se comunicavam entre si via barramento Hypertransport —, o Pentium D era um produto risível, já que ele passava a impressão de ser algo feito meio na correria para mostrar ao mercado que a Intel também tinha um dual-core.

Um pouco depois, durante o IDF de São Paulo, em 2005, tive a oportunidade de participar de uma coletiva de imprensa com Dileep Bhandarkar, um engenheiro ligado ao grupo de Digital Enterprise da Intel.

Depois da reunião, pude bater um papinho com Bhandarkar, onde surgiu o assunto do Pentium D, e fiz minhas considerações sobre a beleza da arquitetura da solução do concorrente e perguntei se a Intel não se preocupava em desenvolver soluções elegantes para seus produtos.

Ele me olhou com uma cara de quem não gostou da pergunta e me respondeu sem muitos rodeios:

Mário, não existe beleza nesse negócio.

(Ah é é?)

A explicação que se seguiu foi mais ou menos a seguinte: mais importante que um belo desenho é o que eles chamam de “time to market”, ou seja, a capacidade da empresa colocar no mercado, o produto certo no momento certo. E ele, como engenheiro, deve fazer o possível para entregar a solução mais adequada para atender a essa demanda.

Nesse caso, a equipe de projeto não precisa se preocupar com a elegância da solução em si, e sim se certificar que o chip funciona direito.

Na época — apesar de não parecer uma solução “elegante” —, o Pentium D foi o melhor que a Intel conseguiu fazer com o tempo disponível para iniciar sua guinada para os chips multi-core, segurando a barra do mercado até a chegada do Conroe, em 2006.

O resto da história todos já sabem, assim como o impacto do Core 2 Duo no mercado.

Sob esse ponto de vista, o Kentsfield foi a solução encontrada pela Intel para agilizar seu roadmap, permitindo o lançamento de uma solução de quatro núcleos num curtíssimo espaço de tempo, não dando folga para a concorrência reconquistar os corações e as mentes do mercado.

É por essas e outras que é legal conversar com engenheiros: às vezes, eles não medem palavras e vão direto ao assunto — para o terror das assessorias de imprensa. ;^)

(rev.0k)

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27 julho, 2007 - Posted by | Intel, Opinião, Papo cabeça, Tecnologia

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