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A terceira VIA: Plataforma PC-1 com processador C7-D

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Enquanto a Intel e a AMD trocam tapas e gentilezas na disputa para ver quem tem tem a plataforma mais veloz do planeta, a VIA Technologies pode ser considerada a “terceira via” desse mercado (sem trocadilhos, claro).

Dono de uma linha de produtos que vai de processadores, chipsets e até aceleradoras gráficas, a empresa de Taiwan investe em plataformas alternativas, como placas-mãe ultra-compactas, processadores de baixo consumo e até seu próprio projeto de computador popular para inclusão digital. Sua estratégia parece ser de correr por fora e comer o mercado pelas bordas com produtos com alto nível de integração, tecnologia atual e bastante acessíveis em termos de preços.

Os frutos desse esforço ficaram mais em evidência desde o início de novembro, época da chegada do primeiro desktop Sub-US$200 do mercado americano — o Everex TC2502 Green gPC — equipado com um processador VIA C7-D de 1,5 GHz.

Acreditamos que, para chegar nessa faixa de preço, além do uso de software livre, a Everex adotou uma plataforma PC-1 da Via como a PC3500G, anunciada em agosto de 2007 e testado por este que vos bloga.

viac7_topview.jpgMedindo aproximadamente 23 x 19 cm (LxP) a PC3500G é uma placa-mãe relativamente compacta e pode ser instalada em qualquer gabinete padrão ATX. Como suas primas — as placas EPIA — a PC3500G vem com um processador VIA C7-D (codinome Esther) de 1,5 GHz (com FSB de 400 MHz) soldado diretamente na placa-mãe e coberto por um curioso cooler que também dissipa o calor do seu chipset north bridge CN896.

Pelo tamanho da ventoinha, vemos que o C7-D não deve esquentar muito. A empresa afirma que essa placa não consome mais que 34,8 Watts trabalhando a todo vapor e 23,6 Watts não fazendo nada.

viac7_back_panel_a.jpgOutra surpresa é notar que mesmo para os padrões atuais, a PC3500G é bastante rica em recursos, vindo equipada com seis portas USB, duas portas SATA II e duas IDE/UltraDMA 33/66/133, dois slots para até 2 GB de memória DDR2 400/533/667MHz, duas portas seriais (internas), SVGA, entradas e saídas de som HD de oito canais (Realtek ALC883) e rede fast Ethernet. Em nome da modernidade, notamos que a placa não vem com interface para unidade de disco flexível.

Opcionalmente, a placa pode ser montada com porta de rede Gigabit Ethernet e suporte para HDTV.

O mais interessante foi notar que, além de um slot PCI padrão a PC3500G também vem com um slot PCI-Express X16, algo raro em placas-mãe desse tipo. Ela ainda possui conexão para fontes chaveadas padrão ATX de 24 pinos.

Sua aceleradora gráfica integrada é uma VIA Chrome 9 HC IGP com suporten para DirectX 9 auxiliada por um engine Chromotion 3.0 para processamento de vídeo MPEG-2.

A partir dessa descrição, podemos concluir que a PC3500G é uma plataforma bastante flexível, permitindo a montagens de desktops com diversas configurações, seja ele um PC padrão ou compacto para uso geral ou mesmo modelos especializados para quiosques, terminais de consulta, soluções de automação comercial e até mesmo Internet Appliances. Nesse último caso, ainda existe a vantagem adicional da aplicação de software poder ser desenvolvido em PCs genéricos, com sistema operacional Windows Vista Basic, XP, 2000 e até mesmo Linux.

Segundo a empresa, o MTBF (tempo médio entre falhas) é de 50 mil horas, algo como 2.083 dias ou quase 5,7 anos de uso contínuo.

Sob Testes

Para essa análise, precisamos instalar somente o básico, ou seja, 1.024 MB de memória DDR 533 na PC3500G, um disco rígido Seagate Barracuda 7200.9 SATA de 80 GB, um gravador de DVD LG GSA-H10A e uma fonte ATX padrão de 24 pinos. O sistema operacional usado foi o Windows XP SP2.

Nos testes realizados, a PC3500G obteve 53 pontos no SYSmark 2004 SE (Internet Content Creation = 48 e Office Productivity = 59), 935 pontos no PCMark 05, 178 pontos no 3DMark 05 e 1.342 pontos no 3DMark 2001SE.

No nosso teste de processamento de vídeo com o AutoGK 2.4 o sistema levou 10h4m44s para converter nosso filme de referência em DVD para AVI.

Esses números mostram que o desempenho do PC3500G é realmente modesto, principalmente se comparado com PCs de linha, como nosso modelo de referência equipado com processador Pentium 4 HT de 3,2 GHz com a mesma quantidade de disco e memória. As diferenças de desempenho variou de 65% a 78% a favor da plataforma da Intel.

Com isso, podemos fazer algumas análises sobre esse produto, em especial o seu público-alvo, que acreditamos ser usuários que precisam atender às suas necessidades básicas de informação — e nada além disso —, como navegar na web, trocar mensagens, ouvir músicas e até assistir um filme em DVD. Soluções dedicadas onde o computador executa sempre a mesma aplicação — como por exemplo, um sistema de administração de estacionamentos — também funcionaria bem nessa plataforma.

Na sua configuração básica com vídeo integrado, não acreditamos que a plataforma PC-1 da VIA seja a melhor opção para jogos, apesar do slot PCI-E x16 poder abrir possibilidades para esse público.

Entretanto, essas observações se baseiam num modelo de computação baseado essencialmente na capacidade de processamento de nossos computadores.

À medida que a tecnologia avança para modelos mais virtuais, fortemente baseados em serviços online como o Gmail (e-mail), Google Docs (aplicações de escritório), redes sociais (Orkut), joguinhos em Flash, entre outros bichos, podemos estar caminhando para uma era onde o computador não será avaliado pela sua velocidade de processamento e sim pela sua capacidade e facilidade de acessar a grande rede e retornar com as informações que desejamos onde quer que estejamos.

Esse, por sinal, é a essência da lei de Metcalfe ( = Bob Metcalfe, inventor do Ethernet e fundador da 3Com), que diz que “o valor de uma rede de comunicação cresce na razão do quadrado do número de usuários conectados na mesma” e usada muitas vezes para antagonizar a própria lei de Moore (apesar de que, já ouvi do próprio Metcalfe que sua lei potencializa a lei de Moore e não a anula).

Um bom exemplo dessa tendência é o próprio gOS do Green gPC — que tira muito proveito das aplicações Web 2.0 — e até mesmo o Eee PC da ASUS — que todo mundo está se apaixonando — e que é impulsionado por um simples Celeron de 900 MHz.

Sob esse ponto de vista, o potencial do PC3500G — ou de seus seguidores — pode ser bastante promissor.

Resumo: Placa-mãe PC3500G com processador Via C7-D
O que é isso? — Placa-mãe do tipo tudo-em-um para PCs de entrada.
O que é legal? — Tecnologia atual, compacta, rica em recursos.
O que é imoral? — Desempenho modesto.
O que mais? — Trata-se de uma plataforma bastante flexível que pode ser usada até em projetos alternativos ou de uso especializado.
Avaliação: 4,5 — Talvez você sinta falta de algum recurso e ele tenha até algumas limitações. Mas, no geral, o produto cumpre o que promete. (entenda nossa metodologia aqui)
Preço sugerido: não divulgado.
Onde encontrar: www.via.com.tw

24 novembro, 2007 - Posted by | Hardware, Review, Tecnologia

2 Comentários »

  1. […] A propósito, já testamos uma placa-mãe com processador C7-D aqui. […]

    Pingback por Flex PC: um desktop ecologicamente correto « mnagano.com | 5 março, 2008 | Responder

  2. […] PC de referência foi montado ao redor de uma placa-mãe PC3500G da VIA equipado com um processador C7-D “Esther” de 1,5 GHz, 1024 MB de SDRAM DDR2 de 533 MHz […]

    Pingback por Review: APC Mobile Power 350 Watt « mnagano.com | 7 março, 2008 | Responder


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