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bits, bytes e bravata!

Hands On: Olympus E-510

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A Olympus enviou para testes a Olympus E-510 (também conhecida como Evolt E-510 nos EUA) e, nesses últimos dias, experimentei essa câmera e publico aqui algumas impressões.

oly_liveview.JPGVoltado para amadores avançados e entusiastas (ou semi-pros, como dizem no Brasil) a E-510 incorpora praticamente todos os recursos desejáveis numa câmera atual e moderna. Se comparado com suas antecessoras como a E-400 e E-500, a E-510 possui um corpo menor e mais delgado e o sensor CCD da Kodak foi trocado pelo Live MOS (um tipo de CMOS de 10 megapixels da Panasonic). Isso permitiu incorporar na E-510 o chamado Live View — recurso que permite enquadrar uma imagem pelo visor LCD.

Mas na minha opinião, o maior atrativo da E-510 é a adoção de um sistema de estabilização de imagem (IS) no corpo na câmera, onde o sensor Live MOS fica montado numa base oscilante que compensa — em tempo real — os movimentos involuntários do usuário durante longas exposições (abaixo de 1/50), o que pode levar à imagens borradas ou de menor nitidez. Some se a isso algumas bruxarias da casa, como seu filtro ultrasônico (que minimiza o acúmulo de poeira no sensor de imagem) e o Pixel Mapping (que mapeia e corrige os pixels mortos da foto) temos ai um produto que exige menos cuidados e procura garantir os melhores resultados nas situações mais complexas.

A boa notícia para nós, brasileiros, é que a E-510 possui a opção de apresentar suas informações num português (yay!) meio capenga, porém muito melhor do que nada.

back_controls.JPGSe comparado a outros projetos mais exóticos como a E-300/330, o desenho da E-510 é bastante convencional com todos os controles posicionados de maneira lógica. Suas dimensões são relativamente compactas — o que pode agradar aos fotógrafos de mãos pequenas — mas nem tanto quanto a E-400/410 (considerada a menor do mercado). Isso ocorreu porque a E-510 manteve uma empunhadura mais saliente (melhorando assim sua ergonomia) e o uso da bateria BLM-1 (a mesma de toda a linha reflex da Olympus, exceto a E-400/410), uma decisão sábia já que isso facilita a aquisição de uma bateria nova e/ou de reserva.

oly_slot_card.JPGEla possui dois slots para cartão de memória, sendo uma delas no padrão CF e a outra no padrão xD Picture Card. Elas ficam num compartimento do lado da empunhadura e por baixo de uma portinha sem trava (boo!). A câmera seleciona automaticamente a mídia disponível e também possui um recurso de transferir imagens de um cartão para outro, de modo que um deles pode servir para backup de imagens na falta de uma solução melhor.

Vale a pena observar que, para incentivar os usuários a usarem os cartões xD da própria Olympus, algumas funções da câmera — como o modo panorama — só funcionam com a presença do cartão dessa marca. Para fidelizar ainda mais as coisas, cada cartão vem com um número-chave que ativa recursos extras no seu software gerenciador de imagens no computador, como a montagem de panoramas, efeitos artísticos e 3D. O bizarro é que a única coisa que diferencia o xD da Olympus da concorrência é uma informação gravada no cartão, nada de software adicional ou coisa do tipo.

O equipamento analisado veio com uma zoom básica, leve e compacta: a Zuiko Digital 14~42mm/f3,5~5,6 ED (equivalente à uma 28~84 mm em sistemas 35 mm) com baioneta “Four Thirds”, também usada pela Leica/Panasonic e em alguns modelos da Sigma. Também acompanha o produto uma bateria e seu respectivo carregador externo, correia de pescoço, cabos de dados e de vídeo, tampa e parassol para a objetiva, CD de instalação e uma vasta documentação impressa.

Ao vivo na tela

Como o objetivo desse post não é de fazer um review completo desse produto, vou me concentrar nos seus principais atrativos: o Live View e o estabilizador de imagem.

Para mim ainda é um mistério entender por que um usuário de câmera reflex precise de Live View. Meu melhor palpite é que tal recurso seja mais atrativo para os fotógrafos que estejam migrando das suas câmeras compactas para sua primeira reflex digital e que aprenderam a fotografar com esse recurso.

oly_quadro1.JPGEntre as vantagens desse recurso está a capacidade de ver o enquadramento real cena a ser fotografada e o uso do histograma de cores em tempo real, algo que não vi em modelos anteriores.

Como já comentei em outro post, o Live View em câmeras desse tipo é um verdadeiro exercício de contorcionismo tecnológico, já que para funcionar, a câmera precisa expor o sensor de imagem para capturar a cena como numa webcam. Mas para isso é necessário levantar a cortina do obturador e o espelho que desvia a imagem que vem da lente para o visor (daí o nome “reflex”) .

Para pré-focar o tema é preciso baixar a cortina e o espelho (para ativar o sistema de foco), focar e levantar tudo de novo e algo parecido para bater uma foto. Trata-se de um procedimento que leva tempo — pelo menos um segundo ou mais — e não é o mais indicado para fotos de ação.

oly_macro_1.JPGAcredito que o melhor uso desse recurso são as fotos de paisagem, panorâmicas, macrofotografia e outras situações onde o usuário não pode/precisa ter pressa para obter os melhores resultados. Na macrofotografia em especial, a E-510 oferece um curioso recurso de ampliar uma área central da cena, permitindo assim um melhor ajuste fino no foco manual.

Digno de nota é também o fato da Olympus ter finalmente implementado o recurso de análise do histograma de cores da cena em tempo real (yay!), algo precariamente explorado nas primeiras câmeras da empresa, mas que vem melhorando a cada modelo.

Assim, no final das contas, considero o Live View um valor interessante que pode ser útil em certas aplicações. Entretanto, como fotógrafo da velha guarda, eu não trocaria de câmera só por causa desse recurso, ou seja, acho o Live View legal e bem vindo, mas posso viver bem sem ele .

Sem tremedeira

Talvez o recurso mais quente no mercado de fotografia digital (ao lado do número de megapixels) seja o estabilizador de imagem. Algo que começou nas câmeras Minolta, que fez a fama das Sony Alpha e que também foi adotada (sem muito estardalhaço) pela Pentax. Na minha opinião, trata-se de uma inovação que traz benefícios reais para o usuário, principalmente porque ela agora funciona em qualquer objetiva, ao contrário do passado, quando tal recurso era embutido em raras (e caras) lentes.

e510_original.JPGPara avaliar esse recurso, eu tirei uma série de fotos (com e sem o estabilizador ativado) do meu medidor de voltagem em um ambiente interno e iluminação fluorescente, com a E-510 ajustada no modo de prioridade de abertura, o que permitiu forçar a câmera a trabalhar em baixas velocidades. A câmera foi segurada na minha mão e fiz as fotos sentado, o que facilitou o enquadramento e melhorou a estabilidade. As imagens abaixo são detalhes em 1:1 da imagem original (ao lado) capturada a 3.648 x 2.736 pixels. Em cada exemplo, a metade da esquerda sempre foi tirada com o recurso de IS desativado e a metade da direita com o IS ativado:

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Exposição de 1/50 seg. em f2.0 — na imagem acima, praticamente não vemos muita diferença em termos de foco, apesar de notarmos que o IS ajudou a obter uma imagem mais nítida.

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Exposição a 1/25 seg. em f2.8 — podemos notar os primeiros sinais de perda de foco (porém aceitável), devidamente compensado pelo IS.

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Exposição de 1/15 seg. em f3.5 — aqui o efeito provocado pelo movimento involuntário do fotógrafo não pode ser mais ignorado. O IS ainda ajudou a corrigir a imagem mas não tão bem quanto nos casos anteriores.

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Exposição de 1/8 seg. em f5.6 — o efeito aqui já é bem desastroso e o IS começa a dar sinais de não dar mais conta do recado.

e510_3.JPG

Exposição de 1/3 seg. em f8.0 — falha total. Nesse caso, nem o IS salvou a imagem e a tendência é de piorar ainda mais em exposições mais longas.

Esses exemplos mostram que a tecnologia IS tem suas limitações e que ela não funciona em 100% dos casos. No geral, ela permite que o usuário tire boas fotos a dois ou três pontos de exposição abaixo do limite humano, isto é, algo entre 1/45~1/30 seg. com o fotógrafo segurando a câmera firme numa posição estável, ou seja, nada de fazer fotos surfando em cima de um vagão de trem ou num jipe velho sacolejando sobre uma estrada de terra.

Conclusões

Como comentei no início desse texto, a Olympus produziu uma câmera na medida para agradar o público em geral, repletas de recursos e sem ousar muito no desenho, como já fez no passado com a E-10/E-20, a E-1 e a E-330. Mas com isso pode-se dizer que essa câmera é um presente de Deus para os fotógrafos? Não exatamente. Ela possui algumas coisas que eu particularmente abomino, como o uso de um conector proprietário que combina sinais de USB, vídeo e disparador remoto de cabo, o que obriga o usuário andar com pelo menos dois cabos adicionais na bagagem. Também sinto falta da uma travinha para a porta do compartimento de cartões de memória, de uma entrada para adaptador de rede elétrica, de um visor de estado no topo da câmera (como na E-1), de ter que usar a luz do flash interno para auxiliar o foco em locais mal-iluminados e de uma maneira mais ágil de acessar alguns recursos, o que te obriga a perder algum tempo varrendo o menu de opções da câmera.

Outra grande interrogação é saber como será a política de distribuição e assistência técnica dessa câmera e de seus acessórios no Brasil. Segundo a Olympus, a E-510 pode ser encomendada na sua distribuidora oficial.

Resumindo, trata-se de uma câmera muito interessante, mas a Olympus tem que fazer sua parte aqui no Brasil e facilitar o acesso dos usuários a esse tipo de produto.

‘nuff said.

22 fevereiro, 2008 - Posted by | Fotografia, Review

1 Comentário »

  1. muito bom o seu trabalho,será que poderia resolver meu problema, comprei uma maquina dessas, mas o manual é em chines, sinto tambem que faltam alguns acessorios, ate o carregador de baterias, sabe , por favor me informar, onde comprar, e se eu encontro na minha cidade, fortaleza?

    Comentário por eliseu paiva rodrigue | 14 agosto, 2008 | Responder


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