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bits, bytes e bravata!

Duas irmãs e 100 anos de imigração

haru_natsu_intro.jpg

Em comemoração ao centenário da imigração japonesa no Brasil, a TV Bandeirantes estreou no ínício dessa semana a mini-série Haru e Natsu — As Cartas que Não Chegaram, produzido em comemoração aos 80 anos da fundação da NHK em 2005.

haru_natsu.jpgEssa história fala sobre a vida de duas irmãs — Haru (primavera) e Nastu (outono) Yamabe — cuja família imigrou para o Brasil mas teve que deixar a filha mais nova no Japão por causa de uma doença nos olhos. Devido à problemas familiares e trocas de endereço, as irmãs pederam totalmente o contato e viveram separadas por mais de 70 anos até o reencontro das duas nos dias de hoje.

A autora Sugako Hashida, era mais conhecida no Brasil pela novela “Oshin” que foi apresentada com sucesso no programa “Imagens do japão” na década de 1980.

Uma das facetas mais curiosas e pouco conhecidas dessa produção é que os produtores da NHK contaram com a colaboração do
Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, que recebeu versões preliminares do roteiro original de Hashida que era lido e analisado por um grupo de especialistas e, quando necessário, apontavam inconsistências histórias e nomes que poderiam soar estranho no Brasil e sugeriam alterações. Eu me lembro de dois casos, citados pela minha amiga Célia Oi, que participou desse trabalho.

Por exemplo, o roteiro original dizia que as cartas de Natsu que chegaram ao Brasil seriam encontradas numa estação de trêm no interior de São Paulo. A equipe brasileira explicou para os japoneses que a maioria dessas estações foram desativadas de modo que as cartas não teriam sobrevivido lá até os dias de hoje. Assim a sugestão foi que as cartas fossem encontradas na casa de algum japonês que morasse nos arredores da estação, o que por sinal pôde ser visto no episódio da terça (26/02). Outra mudança foi a cena de casamento de Haru, já que o original dizia que a festa seria realizada num salão de Hotel, algo incomum até hoje no Brasil. A sugestão dada e seguida era que a festa ocorresse no salão da associação japonesa, uma entidade comum na época.

Outras histórias que circularam na época era que a Rede Globo se interessou pelo projeto e até considerou uma co-produção, mas a idéia gorou por que eles queriam mexer muito no roteiro (imaginem a Ana Paula Arósio de kimono e olhinhos puxados). >;^)

haru_natsu_extras_a.jpgA produção também contou com a colaboração da comunidade japonesa, que participou como extras e algumas cenas foram produzidas na Fazenda Tozan em Campinas. Infelizmente algumas coisas não saíram como o esperado. Por exemplo, a NHK não encontrou um nikkei com japonês e português fluente, de modo que tiveram que improvisar ensinando português para um ator japonês e que cujo resultado final foi, no mínimo, hilário para nós brasileiros (Nooossssa! qui caza gurande!).

A novela foi ao ar em outubro de 2005 no Japão e foi acompanhada com muito interesse pela comunidade local via TV a Cabo. Muitos gravaram a série em vídeo e remixados em DVDs que começaram a circular pela comunidade, inclusive em versões legendadas.

A única versão oficial que eu conhecia por aqui antes da Band era um DVD com o primeiro episódio de 90 min legendado em português e presenteado pela NHK ao Museu da imigração que realizou apresentações regulares para o público por várias semanas. Um livro com essa história também foi publicada pela editora Kaleidos Primus em 2005.

haru_natsu_7_a.jpgGraças a chegada da TV digital, a Band está transmitindo a mini-série em todo o seu esplendor em alta definição ou com cortes nas laterais na TV analógica. Os interessados que perderam o começo da história, ainda podem sintonizar na Band nessa quarta para assistir um compacto com os melhores momentos dos dois primeiros episódios, sinal de que alguém — além de mim — também está curtindo a novela.

Apenas um aviso para os não iniciados no drama televisivo japonês: se vocês acham que os mexicanos são mestres do dramalhão sentimental, reponham o estoque de lenços de papel que por que nesse quesito os japões deixam os latinos no chinelo.

Ao contrário da sofisticada teledramaturgia brasileira, a novela japonesa — em especial as da NHK — possuem uma narrativa bastante linear e tão simples ao ponto de ter um narrador para ajudar a explicar a trama.

Diversão (e choradeira) garantida!

27 fevereiro, 2008 - Posted by | Genshiken, TV digital

1 Comentário »

  1. QUERO PARABENIZA-LOS PELO LIVRO,ELE É M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O. TIVE CONHECIMENTO DO SERIADO ATRAVÉS DE UMA ENFERMEIRA QUE TRABALHA COMIGO E O LIVRO,FOI UM MÉDICO AMIGO DELA QUE EMPRESTOU E TODOS DE NOSSA EQUIPE ESTÃO LENDO.AMEI A HISTÓRIA E A LEITURA. PATRÍCIA.

    Comentário por PATRICIA ARAUJO CAETANO DE OLIVEIRA | 17 junho, 2008 | Responder


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