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bits, bytes e bravata!

Review: Oden em lata

oden_intro.jpg

Entre os vários ícones da cultura Otaku (nerd japonês) além dos animés, mangás, guemus, pasocons , aidorus e os maid cafe existe também o Oden em lata.

Para quem não conhece, o Oden é um prato típico no Japão onde vários ingredientes são cozidos numa calda à base de molho de soja e dashi. Uma curiosidade desse prato é que, a medida que seus ingredientes são consumidos, pode-se repor o estoque e deixar cozinhá-los no mesmo caldo (como se faz com o Sukiyaki) continuando assim a comilança. Essa praticidade talvez explique por que ele é tão popular como petisco em carrinhos de rua, bares e até lojas de conveniência. O Bar Kintaro — o último boteco típico japonês da região da Liberdade, em São Paulo — mantinha sempre uma panela elétrica cheia de Oden ao lado de outros itens do cardápio.

Apesar disso, a versão em lata ainda é um item raro — para não dizer impossível de ser encontrado — nas mercearias orientais aqui no Brasil, assim como já foi o Ramune. Mas isso não impediu que este Zumo arrumasse uma amostra para esse review exclusivo.

oden_topo.jpgO produto analisado foi produzido na província (e no estilo) de Shizuoka, no Japão, onde o caldo é feito a base de molho de soja e carne (o que dá ao mesmo seu característico tom escuro) e os ingredientes são espetados em palitos, o que facilita a sua manipulação e consumo. A lata tem 10 cm de altura x 6,5 cm de diâmetro e peso líquido de 285 gramas, ideal para venda em máquinas automáticas, mas ao contrário das latas de refrigerante que são envasadas em latas de alumínio de duas peças, a lata de Oden é do tipo de aço (folha de flandes) de três peças, ainda muito popular no Brasil.

Como nos desktops da HP e Lenovo, o sistema de abertura é do tipo tool-less, ou seja, pode ser aberto sem o uso de ferramentas. Para isso, basta puxar o anel localizado no topo da lata para ter acesso ao seu interior, num movimento semelhante ao usado em latas de refrigerante e cerveja.

Como esse produto é tipicamente uma comida de inverno, decidimos esquentar a embalagem antes de analisar o seu conteúdo. Para isso, colocamos a mesma numa panela esmaltada com meia carga de água natural (da torneira) e movimentamos todo esse conjunto sobre uma boca de fogão a gás e o aquecemos em fogo médio, até a água entrar em ebulição, perto dos 100° C.

oden_fogo.jpg

Feito isso, levamos a lata a nossa mesa de testes para alimentos (gentilmente cedida pela minha mãe, até antes do almoço) e removemos a tampa seguindo o procedimento descrito na embalagem. Logo de cara, pudemos observar o caldo escuro característico do estilo de Shizuoka, além de alguns ingredientes:

oden_dentro.jpg

Retiramos o caldo da lata para termos uma melhor visão do seu interior, e a nossa primeira impressão foi de uma certa sensação de vazio se comparado, por exemplo, com uma lata de feijoada. Note o palito espetado em um dos ingredientes como reza o estilo de Shizuoka.

oden_drenado.jpg

 

Para facilitar a nossa análise, distribuímos o conteúdo da lata sobre um prato, de modo que pudemos ter uma visão mais clara de seu conteúdo: (1) meio chikuwa (um tipo de salsicha de peixe assado), (2) uma gravatinha de kombu (alga marinha), (3) dois pedacinhos de carne (para dar gosto), (4) um pedaço de imo konhaku (uma espécie de gelatina feita com um tubérculo típico do Japão) no palito, (5) um ovinho de codorna e (6) duas fatias do que parece ser um tipo de kamaboko (outra massa de peixe porém cozida no vapor). Para quem não sabe, essas massas de peixe e mesmo o konhaku são produzidos aqui no Brasil e facilmente encontrados nas mercearias orientais.

 

Finalmente vamos ao que interessa, ou seja, ao teste do paladar. Como era de se esperar, o sabor do caldo é bastante encorpado e mais salgado do que esperava, lembrando vagamente sabor de algo bem cozido no caldo de um sukiyaki. A textura dos ingredientes estava firme e macio, talvez até um pouco além do ponto por estarem imersos em líquido. Como suspeitava, os pedacinhos de carne estavam na lata mais para dar gosto do que ser um petisco propriamente dito. Se comparado com as receitas tradicionais, senti falta de alguns ingredientes, principalmente de vegetais como renkon (raiz de lótus) , daikon (nabo branco) e cenoura. Nossa suspeita é que, além da estética, o palito no konhaku também serve para impedir que o mesmo enrole depois de cozido.

Fora isso também achei a lata meio vazia em termos de conteúdo, apesar de que precisamos estar cientes de que se trata de uma dose individual e que a culinária japonesa se caracterizada mais pela variedade do que pela quantidade das porções servidas nas refeições.

Na minha opinião, esse Oden de lata está mais para um tira-gosto — como um pastel de feira no Brasil — do que uma refeição propriamente dita. De qualquer modo, mesmo se consumido apenas para conhecer, trata-se de uma experiência válida e de um certo modo mostra a capacidade da cultura japonesa de combinar o velho com o novo. A aparência do Oden — com seu caldo escuro — pode não ser das mais atraentes para os olhos dos ocidentais mas, do mesmo modo, os japoneses também estranharam a chegada da Coca-cola na Terra do Sol Nascente depois da 2ª Grande Guerra. Isso porque muitos japoneses ficavam abismados ao ver como os soldados americanos viravam uma garrafa — do que parecia ser molho de soja — numa tragada só e fazer cara de quem gostou (e isso não é mentira de primeiro de abril).

oden_final.jpg

Resumo: Shizuoka Oden
O que é isso? — Cozido de ingredientes diversos em caldo de molho de soja e carne, armazenado em lata.
O que é legal? — Boa apresentação, diferente de qualquer enlatado que já vi até hoje.
O que é imoral? — Dose relativamente modesta, mais caldo do que recheio.
O que mais? — Considerado cult pela cultura Otaku e que gerou variações como Lámen e bolo em lata.
Avaliação: 4,0 — Talvez você sinta falta de algum recurso e tenha até algumas dificuldades com o produto mas, no geral, ele cumpre o que promete. (Entenda nossa metodologia aqui).
Preço sugerido: R$ 10.
Onde encontrar: Shizuoka Oden

1 abril, 2008 - Posted by | Fun Stuff, Genshiken, Review

1 Comentário »

  1. Olá!
    Muito obrigado pela referência ao Kintaro!
    Abraços!

    Comentário por Bar Kintaro | 11 julho, 2008 | Responder


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