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bits, bytes e bravata!

Conheça Junior, um carro sem motorista

junior_1.jpgIDF 2007 São Francisco: Caminhando para a sala de imprensa, antes do keynote de Otellini, passei ao lado de um curioso veículo que parecia ser o sonho de consumo de qualquer motorista geek pela quantidade e gadgets eletrônicos instalados no mesmo.Trata-se do Junior, um Passat Diesel adaptado por estudantes da Universidade de Stanford e co-patrocinado pela Intel. O carro participa do DARPA Urban Challenge, uma competição na qual veículos autônomos (sem motorista) devem trafegar pelas ruas de uma cidade, obedecendo todas as leis de trânsito, desde parar na faixa no sinal vermelho, esperar pela sua vez num cruzamento cheio de carros e até reagir a imprevistos, como pedestres atravessando fora da faixa ou barbeiragem de motoristas de fim de semana.

Para isso, o Junior vem equipado com sistemas GPS, vários sensores de presença e distância, além de quatro computadores, sendo que dois deles são servidores Xeon Quadcore.

Em vez de criar algo com cara de jipe espacial, a equipe de Stanford optou por utilizar um carro de linha, realizando o mínimo de modificações, como por exemplo, refrigerar os computadores com o próprio ar-condicionado do veículo (ligando um tubo diretamente na saída do painel), além de alimentar toda sua parafernália eletrônica com o alternador do motor — ou seja, como todo veículo normal, ele anda só com sua reserva de combustível.

junior_back.jpgPara chegar a esse resultado, os participantes utilizaram processadores de baixo consumo de energia com ótimo desempenho por watt.

Conversando com Manny Vara, porta voz do Intel Labs, ele me disse que a sensação de andar no Junior ainda é meio “robotizada”. As curvas ainda não são suaves, sendo que o passageiro pode sentir as pequenas correções de direção do volante durante a manobra.

Entretanto, ele ficou impressionado com a precisão do veículo e com a capacidade que ele tem de seguir as regras de trânsito.

Jerry Bautista, que passava ao lado e parou para conversar, comentou que eles realizaram um teste com o Junior, onde este fazia um percurso na forma de “8” sobre um piso de cascalho, e notaram que, após várias voltas, os sulcos do pneu não eram maiores que o diâmetro das rodas! Manny também demonstrou o software sensor de presença funcionando em tempo real, de modo que pudemos ver como o Junior enxerga.

Infelizmente, o Junior ficou exposto apenas um dia, e não será apresentado pessoalmente em nenhum keynote.

Manny explicou que a equipe de Stanford precisava do veículo de volta para continuar os ajustes finos no seu software.

A final dessa competição vai ser no próximo dia 7 de novembro e o primeiro colocado leva US$ 1 milhão para casa e o segundo, US$ 500 mil.

(rev.ok)

19 setembro, 2007 Posted by | Editorial, Intel, Novas idéias, Tecnologia | Deixe um comentário

Você leu segundo aqui

No sábado passado (18/08), eu coloquei uma nota que li no Japan Times, falando sobre a declaração feita aqui no Brasil, de que o Japão irá iniciar a pesquisa e o desenvolvimento de uma nova tecnologia de rede, que poderia substituir a Internet.

Na segunda feira (20/08), essa informação saiu no Inquirer:

Japan makes bid to define “next” Internet

Que no mesmo dia saiu no PC Pro:

Japan building new internet

E que hoje (22/08) foi citado no Boy Genius Report:

Japan wants to replace the internet. No, for reals

(rev.ok)

22 agosto, 2007 Posted by | Editorial, Fun Stuff | Deixe um comentário

LCDs no Laboratório Digital

Para aqueles que ainda não sabem, desde o mês passado sou o responsável pela elaboração dos testes comparativos do programa Olhar Digital, que vai ao ar todo domingo às 15:30 horas da tarde.

Esta seção do programa — batizada de Laboratório Digital — é apresentada sempre no último fim de semana do mês, ou seja, dessa vez caiu hoje, dia 24 de junho.

O tema desse mês são os LCDs widescreen de 19″, um projeto que tinha na minha cabeça desde abril deste ano, mas que foi adiado por conta de minha saída da IDG e da pauta do próprio Olhar Digital, que há havia programado SmartPhones para o mês passado.

Não vou esticar muito esse assunto, já que além da apresentação na TV, haverá uma análise mais ampla e detalhada que estará disponível no site do programa a partir de hoje.

Garanto que o padrão de qualidade dos testes é tão bom quanto o das concorrentes impressas.

Minha maior preocupação nessa matéria — além de avaliar tecnicamente cada produto —, foi de tentar esclarecer o público sobre as diferenças entre o formato tradicional mais “quadrado” (conhecido como 4:3) e o widescreen uma vez que, na minha opinião, existem vantagens e desvantagens em ambos os formatos.

Um bom exemplo foi minha experiência ao trocar minha boa e velha TV de 29″ por um modelo widescreen (16:9) de 32″ (Yay!).

Como todo testador de hardware que se preze, fiz todo tipo de conexão maluca no novo aparelho: da antena de TV até PC via HDMI.

No geral, fiquei muito satisfeito com o produto, especialmente na reprodução de filmes em DVD e de conteúdo digital pelo computador.

Minha única decepção ficou por conta da recepção de TV aberta,  pois a qualidade de imagem perde um pouco ao passar da resolução-padrão de 525 linhas para o wide de 720 linhas.

Fora isso, existe a questão do padrão de formato: do mesmo modo que estamos acostumados a ver filmes em cinemascope, com as notórias faixas pretas na horizontal nas telas 4:3; no caso dos programas de TV nas telas wide, o efeito é o contrário, ou seja, se o usuário não quiser “achatar” a imagem da TV para encaixá-la numa tela em 16:9, existe a opção de ver o programa no formato correto, porém com as notórias faixas pretas — agora na vertical (Boo!).

Só por curiosidade, eu medi a diagonal da imagem em 4:3 na minha tela de 32″ e descobri que ela tem o mesmo tamanho de uma tela de 22″ (*#@&%¨$!), ou seja, hoje eu assisto à TV aberta numa tela “menor” que no meu velho aparelho de 29″.

Moral da história: se você estiver interessado numa tela wide e gosta realmente de novela ou futebol na TV, verifique primeiro se você gosta da qualidade de recepção da TV aberta antes de bater o martelo.

Note que, na maioria das lojas, as TVs em demonstração não mostram programas de TV, e sim filmes em DVD conectados ao player com cabos de vídeo componente, que mostram a melhor qualidade de imagem possível.

Não diria que o comércio estaria enrolando o consumidor, já que não tem nada de errado mostrar as vantagens do produto. Nesse caso, o consumidor também deve estar consciente do que realmente espera do novo aparelho de TV e não achar que tudo ficará bom só porque a tecnologia é nova.

É como comprar um carro pensando apenas na sua velocidade máxima, sem se preocupar no seu desempenho no trânsito da cidade.  ;^)

24 junho, 2007 Posted by | Editorial, Opinião | Deixe um comentário

Quando estar na média não é algo tão ruim assim

Antes de publicar nossa primeira avaliação de produto, gostaria de esclarecer o sistema de pontuação que será adotado e seu significado para que tanto os leitores quanto os fabricantes não tirem conclusões erradas.

A grande proposta desse sistema é o de estabelecer uma escala de valor coerente e correta que fuja de algumas manias do modo de pensar das pessoas, em especial a idéia de que uma nota média não é uma coisa boa.

Ouvi isso de um superior quando discutíamos a escala de pontuação a ser adotada em nossos testes comparativos e pode ter origens naquela estória do meio copo d’água que pode estar meio-cheio ou meio-vazio de acordo com o bom (ou mau) humor do observador. O resultado foi a criação de um adicional de valor na nota final de modo que qualquer produto de desempenho médio receberia a nota 7 e não 5.

Um exemplo desse critério aplicado ao extremo é usado por um veículo do ramo que adota a seguinte escala: de 0 a 3,9 (péssimo), de 4 a 5,9 (ruim), de 6 a 6,9 (regular), de 7 a 7,9 (bom), de 8 a 8,9 (muito bom) e de 9 a 10 (ótimo).

Observe que 70% dessa escala é usada para descrever algo regular, ruim e péssimo sendo que apenas 30% é usado para bom, muito bom e ótimo.

Sou matemático por formação e sinto arrepios quando vejo coisas desse tipo (brrrr!).

Por causa disso, gostaria de adotar uma escala que considero boa e é baseada num modelo proposto pelo site AnandTech, que parte da premissa de que a maioria dos produtos do mecardo está “na média”.

Isso não quer dizer que tais produtos são ruins e sim que eles não fazem nada a mais do que o esperado, ou seja, oferecem uma equilibrada combinação de vantagens e limitações.

Ok, chega de papo. Vamos ao que interessa:

Critérios de Pontuação — versão 0.9 — abril de 2007

Na teoria, não existiria a nota 0 (zero) nessa escala porque que isso significaria que tal produto seria algo realmente pior do que ruim e nem deveria ser avaliado pelo Lab.

Do mesmo modo, o usuário deveria fugir de qualquer produto com nota entre 1,0 e 2,0 como o diabo foge da cruz, ou seja, deve ser evitado a qualquer custo. Eles apresentam alguma deficiência séria ou seu desempenho não chega nem perto daquilo anunciado pelo fabricante.

Se algum produto estiver nesse nível, não vejo porque alguém compraria o mesmo a não ser para presentear algum desafeto.

Notas entre 2,5 e 3,0 são produtos que têm muitas limitações, mas também recursos desejáveis. O mais importante nesse caso é saber se esses produtos pelo menos atendem às suas necessidades básicas. Se o preço for muuuito interessante você pode, pelo menos, considerar a compra.

Qualquer coisa entre 3,5 e 4,5 está um pouquinho abaixo da média. Talvez você sinta falta de algum recurso e ele tenha até algumas limitações mas, no geral, o produto cumpre o que promete.

Colocando as coisas nos seus devidos lugares a nota 5,0 identifica um produto na média, ou seja, ele cumpre plenamente o que promete. Ele possui a maioria dos recursos desejados mas não oferece nada a mais que o destaque da concorrência, em especial se comparado com produtos com características semelhantes. Um bom exemplo são as placas de vídeo que usam o mesmo projeto básico e mesma GPU, como as ATI Radeom X1600.

Como o bom senso nos diz, produtos com nota entre 5,5 e 6,5 estão ligeiramente acima da média com nenhum problema realmente sério. No geral, tais produtos trazem algumas características de destaque, que os tornam mais desejáveis que outros.

Do mesmo modo, produtos que merecerem notas entre 7,0 e 8,5 têm várias características que vão muito além do esperado sem nenhum grande problema e/ou limitação técnica e, mesmo se houver, pode ser desconsiderada.

Qualquer coisa que alcance a nota 9,0 ou 9,5 possui vários recursos desejáveis não encontrados na concorrência e mesmo seus defeitos são mínimos com nada sério que interfira no seu desempenho final.

Assim como a nota zero, a nota 10 seria praticamente impossível de ser dada já que ela contemplaria um produto teoricamente perfeito e todos sabem que isso não existe (senão por que os fabricantes renovam seus produtos todos os anos?).

Mesmo assim achamos que a nota 10 pode ser usada para homenagear um produto realmente revolucionário ou que se destacou num comparativo.

26 abril, 2007 Posted by | Editorial | 12 Comentários

Hello world!

Seja bem vindo ao meu blog. Para quem não me conhece, sou Mário Nagano e durante essa década e a anterior trabalhei como analista de produtos na antiga revista PC Magazine Brasil (hoje de volta pela editora Futuro) e depois como editor de testes da PC World.

Acredito que seja um dos últimos profissionais ainda na ativa que aprendeu esse ofício no legendário PC Labs Brasil, local onde se dizia que uma metodologia coerente, seriedade na coleta de dados e muito bom senso são elementos fundamentais, tanto para elaborar uma boa análise quanto para mantê-lo a salvo da ira dos fabricantes que não gostaram do que você escreveu.

Sobre a minha existência no tempo e no espaço, gosto de pensar que sou uma pessoa afortunada por ter conhecido o mundo antes e depois da revolução do computador pessoal e do aquecimento global: vi um hippie de verdade quando era garoto, montei meu primeiro videogame aos 13 anos e iniciei minha carreira profissional aos 17 anos, quando fiz a façanha de ser aprovado no teste para estágio do CPD da faculdade como programador Cobol mesmo sem dominar a linguagem, pois ainda cursava essa matéria.

Talvez seja por causa disso que a administração me chutou para o recém-inaugurado laboratório de microcomputadores — cheio de TK’s-85 tinindo de novos — o que na época não era considerado um cargo muito respeitável, já que os “caras bons” mexiam com mainframes, mas tenho de reconhecer que isso mudou a minha vida.

Depois, tive a oportunidade de trabalhar com todo tipo de computador pessoal, do Sinclair passando pelo Apple II, TRS-80 (modelo I, III e color), HP-85, máquinas CP/M, MSX e várias gerações de IBM-PC desde o modelo original passando pelos XTs, ATs, 386’s. 486’s, Pentiums e assim por diante.

Resumindo: muito da história do computador pessoal no Brasil eu não sei por ter ouvido falar, eu vi acontecer em cores e ao vivo.

E por trás desses fatos, às vezes, existem muitas histórias interessantes que gostaria de explorar nesse blog, como explicar novas tecnologias, indicar sites interessantes, novas idéias, eventos, entrevistas, dicas e truques, downloads além de coisas que todo geek/nerd/otaku/cameko gosta, porém, num ritmo menor que as notas sobre tecnologia.

Obviamente os testes de produtos sempre terão destaque, pois isso é e sempre será a especialidade da casa. Mas espero que possamos avançar para muito além disso.

É isso aí pessoal, acredito que será uma jornada interessante e espero que vocês se divirtam tanto quanto eu.

Welcome to the jungle. :^)

16 abril, 2007 Posted by | Editorial | 4 Comentários