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bits, bytes e bravata!

Pensando fora da caixa

Estava trabalhando agora pouco no meu computador quando — do nada — meu querido mouse laser de 2.000 dpi tinindo de novo pirou. O movimento da seta tornou-se irregular e imprevisível, apesar da rodinha de navegação funcionar perfeitamente, o que me deixou ainda mais intrigado.

Um dia antes eu havia trocado meu bom, velho e meio temperamental chaveador KVM Compaq 4110 por outro Compaq menor, mais moderno e menos caduco (firmware de 2000). Até ai tudo bem até hoje de manhã antes do mouse se rebelar.

Seguindo meu bom senso, eu reinicializei (via botão de reset) o chaveador KVM e o problema persistiu. Desliguei e liguei o dito cujo e nada. Desliguei os computadores, desembaralhei, desconectei e conferi todas as conexões dos cabos, religuei tudo e necas de pitibiriba… :^(

Quando eu já ia partir pra ignorância — desmontar tudo e recolocar o chaveador velho de volta — ao pegar o mouse eu topei com a cena abaixo: um fiapo de papel entrou na câmara do seu sensor óptico, atrapalhando a captação de imagem e, conseqüentemente, a interpretação do seu movimento.

Moral da história: Aquele papo de pensar fora da caixa pode ser verdade. A solução de alguns problemas pode estar realmente onde você menos espera.

Versão alternativa: Limpar o mousepad de vez em quando — além de afastar as formigas — pode prevenir transtornos. ;^)

4 maio, 2008 Posted by | Fun Stuff, Gadgets, Opinião, Papo cabeça | 1 Comentário

Arthur C. Clarke (1917~2008)

accportrait.jpgUm dos grandes profetas da tecnologia moderna, Sir Arthur C. Clarke morreu na última terça (18/03) aos 90 anos de idade em Sri-Lanka. Autor de mais de 100 livros, ele ganhou fama mundial quando Stanley Kubrick usou seu pequeno conto “O Sentinela” como base para o filme “2001: Uma Odisséia no Espaço“. Depois disso, o mundo nunca mais foi o mesmo.

Confesso que nunca fui leitor assíduo de Clarke, mas uma faceta que sempre me fasacinou nele era sua visão racional (e até um pouco demasiada) do mundo e da tecnologia.

Eu me lembro de um documentário onde Clarke queria mostrar como Percival Lowell conseguiu de seu observatório na terra, mapear um complexo sistema de canais em Marte que, de um certo modo, nunca existiram.

Clarke montou uma experiência com um grupo de alunos de uma escola primária e pediu para cada um deles desenhar o que viam na foto de um planeta pregado no quadro negro, que era mais ou menos a mesma imagem (na mesma escala e condições precárias) que Lowell tinha de Marte do seu telescópio, ou seja, uma bolinha meio enevoada. O curioso é que alguns alunos chegaram a ver e até desenhar algumas linhas muito parecidas com as anotações de Lowell, ou seja, sua crença, apesar de incorreta, tinha algum fundamento. Digamos que ele só forçou um pouquinho a barra — e quem não faria depois de torrar uma fortuna para construir em 1894, um observatório no topo de uma montanha no Arizona só pra ver Marte? ;^)

Meu pensamento favorito de Clarke vem de uma declaração que ele fez ao documentário “Stanley Kubrick – Imagens de Uma Vida” onde ele disse que para cada ser humano vivo da terra existem pelo menos 30 fantasmas atrás dele, referindo-se a relação de pessoas vivas e que já viveram nesse planeta — uns 100 bilhões.

100 bilhões também é o número aproximado de estrelas na Via Láctea e como podem haver planetas orbitando cada um desses astros, não é interessante imaginar que existe um planeta inteiro para cada pessoa que já existiu nesse mundo?

Far out, man! ;^)

20 março, 2008 Posted by | Notícia, Opinião, Papo cabeça | Deixe um comentário

Marciano flagrado em marte?

martian_1.jpg

O Times Online publicou hoje uma curiosa imagem tirada em Marte, cujos contornos lembram vagamente uma criatura humanóide.

Esse detalhe foi encontrado em uma foto panorâmica tirada pela sonda exploradora móvel Spirit que perambula pela superfície do planeta à procura de evidências geológicas da existência de água, substância que poderia sugerir a existência de um ambiente propenso ao surgimento de vida no passado marciano.

Mas essa não é a primeira nem a última imagem estranha vinda do planeta vermelho.

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23 janeiro, 2008 Posted by | Fun Stuff, Opinião, Papo cabeça | 6 Comentários

Quanto vale um ruído?

buzinas.jpgQuando o assunto é fazer barulho, é comum ouvirmos falar em decibel (dB) que é a unidade usada para medir a intensidade de um som. O problema é que, no geral, não temos uma boa referência para dizer quantos decibéis representam um som alto ou baixo, sendo que a maneira mais simples talvez seja na forma de exemplos (sonoros) do nosso cotidiano.

Lendo hoje um guia do usuário de um monitor LCD, descobri no final da mesma, uma curiosa tabela de referência de decibéis, por sinal uma das mais completas que já vi até hoje. A saber:

  • 0 dB — Nenhum som.
  • 10 dB — Respiração humana.
  • 15 dB — Suspiro.
  • 30 dB — Interior de um cinema, sem barulho.
  • 40 dB — Área residencial, à noite.
  • 45 dB — Burburinho no cinema antes do filme.
  • 50 dB — Restaurante silencioso (início da percepção de ruído).
  • 60 dB — Som dentro do escritório e ou restaurante, conversa normal.
  • 65 dB — Conversa alta.
  • 70 dB — Barulho de tráfego.
  • 80 dB — Aspirador de pó grande.
  • 90 dB — Caminhão, cortador de grama.
  • 100 dB — Furadeira pneumática, walkman no máximo.
  • 110 dB — Motocicleta em alta velocidade, buzina de carro.
  • 120 dB — Primeira fila de um concerto de rock, avião decolando.
  • 130 dB — Buzina de trem (início da dor no ouvido).
  • 140 dB — Tiro de espingarda.
  • 150 dB — Avião a jato.
  • 160 dB — (Perigo de estouro do tímpano).
  • 180 dB — Foguete decolando.
  • 250 dB — Interior de um tornado, bomba nuclear.

Em TI, um valor que pode nos interessar são os 50 dB, já que, sons abaixo disso não incomodam e nem chegam a chamar a atenção de um ser humano.

Assim, quando um fabricante diz que seu produto, gera algo em torno de 30 a 40 dB, podemos considerá-lo bastante silenciosa. A medida que esse valor sobe, o ruído além de se tornar perceptível, pode começar a incomodar. Em especial aquele zumbido constante gerado pelas ventoinhas de alguns desktops, principalmente à noite.

Ouviram?

12 dezembro, 2007 Posted by | Dicas, Papo cabeça | Deixe um comentário

Vida além do PC

Enquanto o Brasil se consolida como um dos quatro maiores mercados de computadores pessoais do mundo — atrás de países como EUA e a China — no Japão, as vendas de PCs cairam pelo quinto trimestre consecutivo. Segundo o IDC, a queda na venda de desktops foi de 4,8 % e nos laptops 3,1 % no segundo trimestre de 2007.

Isso pode parecer estranho, mas isso mostra que, para o consumidor japonês, o PC está perdendo espaço no seu “estilo de vida digital” em favor de outros dispositivos inteligentes, como consoles de jogos de última geração e os smartphones, todos conectados na Internet.

Assim, depois de revolucionar o mundo com seus eletrônicos de consumo como a panela de arroz elétrica, o Walkman e o videocassete, na Terra do Sol Nascente pode estar surgindo uma das primeiras civilizações pós-PC do mundo e um exemplo interessante do que pode acontecer em outras regiões tecnologicamente avançadas do planeta — a tão falada era do pervasive computing.

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6 novembro, 2007 Posted by | Genshiken, Notícia, Opinião, Papo cabeça | 2 Comentários

Como fazer uma boa apresentação (sem levar ovo na testa)

Reproduzo abaixo um texto baseado numa matéria que escrevi a muito tempo atrás, e que achei perdida na minha pasta de documentos.

As informações foram tiradas de um pequeno livro de treinamento interno da Infocus (fabricante de projetores multimídia), que me foi emprestado na época pelo meu colega Luís Carlos de Carvalho, atual gerente comercial da Pleomax.

Tratam-se de uma série de dicas e truques que não se limitam aos malabarismos visuais de programas de apresentações como PowerPoint, e sim da própria técnica de montar a sua apresentação, desde o seu rascunho até a maneira de conduzi-la.

Espero que apreciem essa sessão nostalgia:

Enjoy!

Como fazer uma boa apresentação (sem levar ovo na testa) (título original, recusado pelo editor)

Como uma apresentação pode ser a diferença entre a vida e a morte de um negócio, vale a pena conhecer algumas dicas e truques dessa interessante e, às vezes — pouco conhecida arte — para, no mínimo, não contar apenas com a sorte ou com a piedade da platéia para ser bem sucedido.

Preparação do roteiro

Antes de mais nada, organize suas idéias: determine seus objetivos (ensinar algo, vender um produto, conquistar novos membros para sua causa); depois enumere os principais tópicos da sua apresentação e, finalmente, detalhe cada um deles.

Esse roteiro pode ser a base das telas que formarão a apresentação.

Quando estiver elaborando o conteúdo das telas da apresentação, prepare um texto voltado para os espectadores mais informados, reservando sua capacidade de explicar verbalmente para as pessoas mais leigas no assunto.

Uma estratégia muito usada em apresentações é a técnica de transmitir o principal de sua apresentação pelo menos três vezes, sempre com a preocupação de enriquecer cada um desses passos com novos detalhes, de modo que isso não pareça muito repetitivo.

Isso pode ser feito com a apresentação prévia dos tópicos na forma de uma agenda ou listando os objetivos, seguida pelo conteúdo principal que normalmente termina com uma revisão resumida.

Feito isso, é comum reservar um tempo para uma sessão de perguntas e respostas.

Texto nas telas

Na hora de desenhar as telas de sua apresentação, procure utilizar fundos ou logotipos padronizados em todas elas, de modo a manter a uniformidade visual em todas as suas apresentações – presentes e futuras – uma prática freqüente no mundo corporativo.

Mantenha sempre um desses fundos à mão, já que nunca se sabe quando você deverá preparar uma apresentação para ontem.

Outra preocupação é de nunca sobrecarregar visualmente as telas.

Procure não usar mais do que 30 números de cinco dígitos ou mais de 36 palavras arranjadas em, no máximo, seis linhas. Pode-se esticar esse número para até oito às custas de algum desconforto da platéia.

O texto deve ocupar entre 2/3 a 3/4 da tela, usando sempre caracteres grandes, largos e não vazados (de fundo sólido).

Fontes do tipo Helvética e Times Roman podem não parecer visualmente atraentes, mas são ótimas para esse tipo de aplicação.

Uso de gráficos

Os gráficos comerciais já foram descritos como a arte de transmitir visualmente certas informações de maneira “dramática”, de modo a enfatizar ou não alguma mensagem a eles associada.

Sabendo disso, procure utilizar o melhor tipo de gráfico para passar as suas idéias.

Por exemplo, para apresentar as partes de um todo, os gráficos do tipo torta são os mais indicados. Para comparar vários elementos, utilize os gráficos de barras. E os gráficos de linhas são mais adequados para mostrar mudanças de um elemento durante o passar do tempo.

Uma dica interessante é usar as linhas para mostrar pequenas variações, barras para mostrar médias e pontos para mostrar uma convergência, quando linhas em zigue-zague podem tirar a visão de tendência.

A cor da informação

Procure utilizar as cores a seu favor na hora de enfatizar os pontos de destaque da sua apresentação.

Por exemplo, cores vivas sobre as neutras ou tons mais claros sobre os escuros ou vice-versa, de acordo com o contexto.

As cores básicas, vivas e chapadas produzem melhor visibilidade do que cores secundárias, efeitos de sombra ou texturas complexas. Não se esqueça também de que as cores por si só também transmitem mensagens.

O exemplo clássico é o vermelho que, no mundo financeiro, é associado a perdas ou a algum tipo de prejuízo. Se esse for o tom de sua mensagem, não existe cor melhor.

Veja como as cores podem reforçar uma mensagem:

VERMELHO: Estimula uma forte resposta emocional. Pode motivar uma platéia.

AMARELO:Associado com otimismo, mas seu brilho pode distrair ou cansar a platéia.

VIOLETA: Associado com irresponsabilidade. Pode ser usado para brincadeiras.

AZUL: Indica calma, credibilidade ou uma visão conservadora de certa informação.

VERDE: Apresentações que requerem uma resposta da platéia são mais eficientes com essa cor.

PRETO: Percebido como algo final. Ótimo para mostrar informações financeiras ou enfatizar algo.

Na hora do Show

Sempre revise suas apresentações e, quando for possível, faça um ensaio com o equipamento que será usado na apresentação para se certificar de que tudo está funcionando de acordo com o previsto e dentro do tempo desejado da apresentação.

Certifique-se de que o controle remoto está funcionando e que você saiba como operá-lo.

Nesse momento, a presença de uma platéia mais amigável e menos irônica (como um colega de trabalho) ajuda a encontrar inconsistências e falhas na apresentação. Alguns apresentadores gostam de iniciar suas palestras, fazendo algum tipo de graça ou brincadeira para quebrar o gelo do primeiro contato com a platéia.

Outros se movimentam durante a apresentação, para ver se sua platéia o acompanha com os olhos. Isso pode ser uma maneira discreta de ver se as pessoas estão prestando a atenção ou não em você.

Finalmente, não assuma essas dicas como dogmas. Um pouco de entusiasmo ou mesmo uma abordagem original pode ser mais importante do que apenas seguir regras.

(rev.ok)

24 agosto, 2007 Posted by | Dicas, Faça você mesmo, Papo cabeça | Deixe um comentário

Não existe beleza no negócio de chips

Neste final de semana (29/07), irá ao ar meu terceiro teste comparativo para o programa Olhar Digital, cujo tema foi os computadores com processador quad-core da Intel (codinome Kentsfield). O produto ainda é raro no segmento de volume, mas ele está encontrando o seu espaço como opção de melhor desempenho para o Core 2 Duo (codinome Conroe).

Na época do seu lançamento, lembro-me de ter visto reviews do Kentsfield onde os autores tiravam um sarro do quad-core da Intel por ele adotar uma solução muito parecida com o Pentium D “Smithfield”, que nada mais era que dois núcleos de Pentium 4 montados no mesmo encapsulamento, sendo que toda a troca de informações era realizada externamente pelo chipset.

No caso do Kentsfield, trata-se de dois núcleos Conroe no mesmo encapsulamento.

Na época (meados de 2005), quando comparado com o Athlon 64 x2 — cujos núcleos compartilhavam alguns recursos em comum e se comunicavam entre si via barramento Hypertransport —, o Pentium D era um produto risível, já que ele passava a impressão de ser algo feito meio na correria para mostrar ao mercado que a Intel também tinha um dual-core.

Um pouco depois, durante o IDF de São Paulo, em 2005, tive a oportunidade de participar de uma coletiva de imprensa com Dileep Bhandarkar, um engenheiro ligado ao grupo de Digital Enterprise da Intel.

Depois da reunião, pude bater um papinho com Bhandarkar, onde surgiu o assunto do Pentium D, e fiz minhas considerações sobre a beleza da arquitetura da solução do concorrente e perguntei se a Intel não se preocupava em desenvolver soluções elegantes para seus produtos.

Ele me olhou com uma cara de quem não gostou da pergunta e me respondeu sem muitos rodeios:

Mário, não existe beleza nesse negócio.

(Ah é é?)

A explicação que se seguiu foi mais ou menos a seguinte: mais importante que um belo desenho é o que eles chamam de “time to market”, ou seja, a capacidade da empresa colocar no mercado, o produto certo no momento certo. E ele, como engenheiro, deve fazer o possível para entregar a solução mais adequada para atender a essa demanda.

Nesse caso, a equipe de projeto não precisa se preocupar com a elegância da solução em si, e sim se certificar que o chip funciona direito.

Na época — apesar de não parecer uma solução “elegante” —, o Pentium D foi o melhor que a Intel conseguiu fazer com o tempo disponível para iniciar sua guinada para os chips multi-core, segurando a barra do mercado até a chegada do Conroe, em 2006.

O resto da história todos já sabem, assim como o impacto do Core 2 Duo no mercado.

Sob esse ponto de vista, o Kentsfield foi a solução encontrada pela Intel para agilizar seu roadmap, permitindo o lançamento de uma solução de quatro núcleos num curtíssimo espaço de tempo, não dando folga para a concorrência reconquistar os corações e as mentes do mercado.

É por essas e outras que é legal conversar com engenheiros: às vezes, eles não medem palavras e vão direto ao assunto — para o terror das assessorias de imprensa. ;^)

(rev.0k)

27 julho, 2007 Posted by | Intel, Opinião, Papo cabeça, Tecnologia | Deixe um comentário

Humano desafia computador no poker

Desde ontem, o jogador de poker Phil Laak está jogando 2 mil partidas de Texas Hold’em contra um computador, por uma bolada de US$ 50 mil durante uma conferência de AI no Canadá.

A última vez que Laak participou de uma disputa desse tipo foi em 2005, quando derrotou o programa Poker Probot em Las Vegas. Na época ele estimou que seu nível de habilidade estava apenas 5% acima do software.

O novo programa chamado Polaris foi desenvolvido pela universidade de Alberta e procurou reduzir ao máximo o elemento do acaso deste jogo, aplicando elementos da teoria dos jogos criado por John von Neumann, e polido pelo matemático John Nash nos anos 1950. Ele ficou (ainda mais) famoso quando sua vida foi contada no filme “Uma Mente Brilhante“.

Ao contrário de jogos como xadrez ou damas, onde as peças sempre começam na mesma posição e evoluem para um imenso (porém finito) número de movimentos baseados em regras fixas e consistentes, no poker não existe um ponto de partida conhecido e o jogador não sabe quais cartas estão na mão de seu oponente e pior, o que ele vai fazer com elas.

Assim, não existe necessariamente uma “melhor jogada” (como no xadrez) e o resultado da partida também depende da reação do oponente às suas jogadas e vice-versa, permitindo até que um jogador com uma mão fraca (combinação de cartas não muito boa) tenha chances de vencer uma partida — se souber blefar direito.

Isso torna esse jogo particularmente emocionante, já que os melhores players são bons observadores da natureza humana e capazes de usarem isso à seu favor numa partida.

Curiosamente, é por isso que vemos em algumas partidas jogadores com óculos escuros, com cara de “peixe morto” ou a combinação de ambos.

Nos EUA, um rosto sem expressão é popularmente conhecido como “poker face”.

Leia mais sobre isso aqui:

24 julho, 2007 Posted by | Notícia, Papo cabeça, Tecnologia | Deixe um comentário

Relembrando Peter Hofstee, o pai do processador Cell

No final do ano passado (2006), estava eu no PC World Test Center pensando na vida e no sentido do Rock’n’Roll, quando Ralphe Manzoni, editor executivo do IDGNow! me passou a ligação de uma pessoa que tenho grande estima e muito orgulho de chamar de amigo: o Dr. Fábio Gandour, gerente de novas tecnologias da IBM Brasil.

hofstee.jpgEle me fez a seguinte oferta: uma entrevista exclusiva com Peter Hofstee, cientista chefe do projeto Cell BE (usado no PS3), que estava por aqui para acompanhar uma iniciativa local, que incentivava a criação de um ecossistema para desenvolvimento de aplicações baseadas no Cell nas universidades brasileiras.

Como Hofstee teria algum tempo livre na sua agenda para conversar com a imprensa local, Gandour lembrou de um editor de testes meio aloprado que trabalhava na IDG que poderia ser capaz fazer as perguntas corretas, e o mais importante — entender as respostas: your’s truly!

Foi uma entrevista muito legal, feita num momento muito interessante. Pois naquele momento, a Sony acabara de colocar o Playstation 3 no mercado e a IBM acelerava o processo de explorar todo o pontencial de seu novo chip de nove núcleos, enquando a concorrência ainda fazia barulho com seus chips de dois núcleos.

Foram quase três horas de uma conversa fascinante, que rendeu várias páginas de texto, mas que tiveram que ser resumidas para não cansar o leitor com tanta informação.

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12 julho, 2007 Posted by | IBM, Papo cabeça, Tecnologia | 6 Comentários

Energia limpa, porém “barata”?

(Post número 100 — Yay!)

Uma das grandes promessas da ciência para obter energia limpa, nos próximos anos, é a chamada célula de combustível (Fuel Cell), nome pomposo que não foi inventado por William Robert Grove — que, em 1839, foi o primeiro a desconfiar que seria possível gerar energia simplesmente invertendo o processo da eletrólise da água.

Para testar suas idéias, ele montou duas garrafas — cada uma com uma tira de platina isolada no seu interior —, que, depois de imersas numa solução de ácido sulfúrico, começaram a gerar uma leve corrente elétrica em seus eletrodos, ao mesmo tempo em que houve a formação de água dentro das vasilhas.

O nome “célula de combustível” só foi cunhado em 1889 pelos químicos Ludwig Mond e Charles Langer, quando tentaram construir a primeira célula funcional, usando gás de carvão industrial e ar.

Essa tecnologia andou meio na obscuridade por quase um século, até que ela voltou à moda nos anos 1960 com a primeira crise do petróleo e mais ainda com o projeto Apollo, que usou células de combustível para gerar energia para a nave, além de água para consumo dos astronautas.

Os híbridos nerd/cinéfilos podem ter notado várias referências às células de combustível no filme Apollo 13 (EUA, 1995), dirigido por Ron Howard.

Vantagens e desvantagens

Dali para cá, a célula não parou de evoluir com várias empresas propondo o seu uso em carros, residências (por meio de geradores domésticos) e até eletrônicos de consumo, como notebooks e handhelds a partir de uma tecnologia chamada DMFC (Direct Methanol Fuel Cell), que utiliza metanol ao invés do hidrogênio como combustível. Isso permitiu o desenvolvimento de células menores e mais práticas.

A promessa é de uma fonte de energia mais potente, de recarga “imediata” (já que ela não precisa ficar horas ligada à tomada) e ecologicamente mais amigável, uma vez que produz menos resíduos sólidos (no máximo um reservatório vazio que poderia ser reciclado).

Apesar disso, seu uso comercial tem enfrentado alguns problemas de ordem prática e até legal. A saber:

Como o metanol é um líquido inflamável, existe a resistência — ou melhor, proibição ferrenha — das agências governamentais dos EUA em liberar o seu uso em aviões, onde hoje nem isqueiro Zippo entra.

Vale a pena lembrar que o metanol é um combustível tóxico que penetra no corpo humano pela pele, vias respiratórias e digestivas, podendo levar à cegueira total ou parcial e até mesmo à morte.

Não confunda o metanol com “etanol”, o nosso bom e velho álcool de cana, que também não deveria ser consumido em excesso.

Ainda resta a questão de como comercializar o combustível e o seu custo para o usuário final.

O metanol em si é relativamente barato, mas se juntarmos os custos de produção, de enchimento e distribuição do cartucho, além de outras despesas menores, seu preço final dificilmente será muito baixo, podendo até repetir a história dos cartuchos de jato de tinta.

O grande paradoxo

Bom… Até aqui, nenhuma novidade.

O que andei filosofando nesses últimos dias, é que o modelo de negócios da célula de combustível parece ser o mesmo das atuais baterias descartáveis — como as pilhas alcalinas que usamos em nossos eletrônicos portáteis e outros brinquedos.

O grande paradoxo é que os usuários quando possível, preferem substituir as pilhas alcalinas pelas versões recarregáveis de NiCad ou mesmo de íons de Lítio, exatamente aquelas que a célula de combustível pretende substituir.

Isso ocorre por uma questão econômica. Não que elas sejam mais em conta, e sim porque as recarregáveis tiram proveito de uma fonte de energia amplamente disponível, ilimitada e praticamente de graça.

E quem pensou no astro-rei, errou!

Estou falando da tomada elétrica dos outros.

Ao contrário do cartucho de combustível, que vai ter de ser comprado Deus-sabe-aonde ou Deus-sabe-a-que-preço, nos dias de hoje, os usuários de notebook precisam apenas de uma tomada* de bobeira — como aquelas que existem nas empresas, centros de convenções, salões de hotéis, aeroportos e até na casa do vizinho — para recarregar suas baterias a custo zero, sem o menor constrangimento em fazer isso.

O curioso é que os donos dessas tomadas parecem não esquentar a cabeça com isso, apesar de se esquentarem muuuito — até chamando a polícia — caso peguem alguém tirando gasolina de seus carros.

Com essa moleza dando sopa em qualquer lugar a qualquer momento, quem vai querer gastar dinheiro numa célula de combustível que consome cartuchos de metanol?

*e de um adaptador se estiver na Europa. :^)

1 julho, 2007 Posted by | Papo cabeça, Tecnologia | 2 Comentários